[pluribus]

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A segunda-feira não chega sozinha
Vem carregada de restos do domingo, listas mentais, promessas reaproveitadas, desejos que ainda bocejam com gosto de cozinha
Segunda-feira é acúmulo em movimento
Um dia que já nasce atravessado por vozes, tarefas, vontades contraditórias
Café da manhã com cheiro de tormento
Por isso ela assusta e seduz
Por isso ela pede manejo
Por isso ela pede poema
Por isso ela vem vestida de acordo
Por isso ela pede movimento para virar forma
Mais de um, mais de dois, mais do que cabe numa linha torta
A segunda-feira mistura. Fricciona
Desarruma a falsa ideia de unidade pura
É uma multidão de vozes que não precisa virar uma só para fazer sentido
É cheia de camadas e grunhidos
Ela aceita versões, rasuras, respirações diferentes no mesmo verso
Cada segunda singular ao avesso
vira plural que não pede desculpa por existir
E chega e some e soma e cega
A segunda-feira não nega
Você é quem vai decidir
Então decide assim:
com curiosidade,
com margem,
com a coragem de quem sabe
que pensar também é verbo em trânsito
no âmbito dos teus desejos
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Tina Teresa
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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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