Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[repeteco]

_

de repente a fala

é um eco que insiste em voltar

uma engrenagem

que tropeça ao girar

um pequeno trote no verbo

como se ele tivesse voltado

alguns passos no tempo

na virtude clara no meio da sala

na segunda-feira que nunca acaba

de repente a fala

ora pesa, ora pulsa, ora cala

quase sempre estala o mesmo nervo

num jogo de espelhos

cheio de quases

que invadem

as lembranças reeditadas

como quem rebobina uma fita

numa segunda-feira que grita

de repente a memória

retorna numa nova forma

numa insistência insana

em fazer sentido

retórica

anáfora

pressão semântica

eco eco eco eco

percurso disfarçado

curva endiabrada

ruído que não cala

sobra de fala

paradoxo eloquente

redundância efervescente

necessidade latente

de (re)contar tudo novamente

de repente a nóia

morde

quando o pensamento tateia

e o verbo pisa no chão inteiro

quando o eco involuntário

vira linguagem que encosta

na borda

quando a palavra toca

a parede

e volta

reverberando

sem pressa

e a cada volta

nada do que foi 

fica igual ao que começou

nem a segunda-feira

que insiste em camadas

nem o tempo

que se inundou

de ecos

incertos

pequenos repetecos

no universo que afundou

_

❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

ilustração deste poema: Nora Jesenski.

**

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Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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