Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Dezembro]

Dezembro. A sexta-feira do ano

Um mês em combustão lenta que não termina: incandesce

Mesmo por debaixo dos panos

É quando as promessas ficam com cheiro de papel novo

E as pendências querem estacionar no calendário antigo

De novo?

Dezembro é festa e balanço

É febre de fechamento

,é luz piscando antes do corte,

é a pressa tentando parecer descanso

Tudo quer acabar,

mas nada aceita sair ileso

Entre o que foi dito

e o que ficou atravessado,

o mês arde

E a gente também

Dezembro passa

Deixa marcas

E uma lucidez curiosa:

o ano muda,

mas a segunda-feira sempre reaprende a chegar

Na próxima semana tem mais uma

Você vai fugir ou vai ficar?

_

Tina Teresa


ilustração deste poema:

artwork by David Bowers.   

**

Loading spinner

[durma até sonhar, viva até acordar…]

Mais poemas

15DEZ2025

[Sob a tela da janela]

Sob a tela da janela A viagem segue lenta A paisagem acalenta O céu esquenta o coração   O tempo dobra os quilômetros Costura nuvens e estradas Cada olhar encontra pouso Cada pausa vira mirada   Na imensidão   Sob a tela eu ensaio Um passo enfadonho Talvez um sonho Um recomeço, um pouco   […]

08DEZ2025

[Passos roxos]

segunda-feira é um território de partida onde o café ainda não sabe o próprio nome e a rua respira antes de acordar   é o dia em que a semana prova o sapato e decide se caminha, se dança ou se inventa um jeito torto de seguir   há quem tema as segundas eu as […]

01DEZ2025

[Tomara que caia]

Chegou hoje Meu vestido de poá Tomara que caia Tomara que saia Que vaia, que seja Tomara que derreta Pelas calçadas pálidas Da cidade nublada Pelos bueiros rarefeitos Pelas valas flácidas Pelas vagas vagas Das ruas ácidas Das segundas cálidas Das feiras plácidas Tomara _ Photo: The Red Shoes by Rachel Domleo

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
Invalid email address