Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Breakfast]

Pra começar: breakfast
Torradas com manteiga
Sol nascendo na janela
Geleia de ameixa
Edredom azul celeste
Roupas jogadas na cadeira
Restos de bebedeira
Mas de repente, de bobeira
Na segunda-feira
Você me deixa 

Então, querido
Forget the breakfast
Just confess
This was never meant to last
Guarde o que foi dito
Não conte os dias
Não conte os tragos
Nos teus cigarros amadeirados
Não conte os abismos
Nem os eufemismos
Esqueça as amenidades
Beirando infantilidade
It was just a breakfast
E você não passou no teste

Por isso te olho de longe
Enquanto você faz pirraça
Brincando de esconde-esconde
Ah, você é tão sem graça
Eu preparei um banquete
Mas você tava com pressa
Não, não enfeite
Guarde tua promessa
Pra quando você aprender
A degustar com sensatez
E a usar tua inteligência
Com sapiência 
E não a seu bel-prazer 

Guarde tuas palavras 
Pras tuas noites pálidas
Guarde tua prepotência broxante
Pras tuas levianas amantes
Guarde a tua voz
Guarde a tua cena
Guarde o teu papel de otário
No teu barril de carvalho
Envelhecido
E lembre-se de nós

Que pena

Guarde o que podia ter sido
Guarde a tua nostalgia
Você era o máximo
E eu era teu sonho tácito
Mas tudo não passou
De um café da manhã
Porque você nem provou
O prato principal
Muito menos a sobremesa
Tinha torta de maçã
E até cereja no final
Tinha calda de chocolate
E vinho importado
Mas você virou de lado
Se fez de covarde
Agora, querido
O mocinho virou bandido
Não faça alarde
Já é tarde
Segunda-feira arde 


by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

❢ conheça a autora: about.me
❝ acompanhe, interaja e compartilhe:
Facebook | Twitter | Instagram | Pinterest | Youtube | Flickr | G+

be panic…
panicmonday.com.br
panicmday@gmail.com


ilustração deste poema: embroidered bread slices by

l’artiste

**

Loading spinner
[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Leu, sentiu, pensou? Joga uma fagulha nos comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

[durma até sonhar, viva até acordar…]

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
Invalid email address

Mais poemas

  • [compasso alado]

    [compasso alado]

    _ então fica assim não engula as perguntas para seguir em passo nem passe mais um ano descalço engula apenas pra fazer pazes e dar passagem pra segunda-feira que insiste em se atravessar algumas perguntas não sabem esperar outras só amadurecem no estômago  e tem as que pedem tempo e seguem sem alarde sem rótulo…

  • [pluribus]

    [pluribus]

    _ A segunda-feira não chega sozinha Vem carregada de restos do domingo, listas mentais, promessas reaproveitadas, desejos que ainda bocejam com gosto de cozinha Segunda-feira é acúmulo em movimento Um dia que já nasce atravessado por vozes, tarefas, vontades contraditórias Café da manhã com cheiro de tormento Por isso ela assusta e seduz Por isso…

  • [Dezembro]

    [Dezembro]

    Dezembro. A sexta-feira do ano Um mês em combustão lenta que não termina: incandesce Mesmo por debaixo dos panos É quando as promessas ficam com cheiro de papel novo E as pendências querem estacionar no calendário antigo De novo? Dezembro é festa e balanço É febre de fechamento ,é luz piscando antes do corte, é…

  • [Sob a tela da janela]

    [Sob a tela da janela]

    Sob a tela da janela A viagem segue lenta A paisagem acalenta O céu esquenta o coração   O tempo dobra os quilômetros Costura nuvens e estradas Cada olhar encontra pouso Cada pausa vira mirada   Na imensidão   Sob a tela eu ensaio Um passo enfadonho Talvez um sonho Um recomeço, um pouco  …