Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Quem me dera]

Quem me dera
Repousar teu olhar 
Na minha janela

Pois se existe
Algum lugar mais lindo
É onde te vejo sorrindo
De mansinho 
Só pra mim

Visita singela
Vou pendurar uma arandela
Aqui no alto
Da minha janela 

Só pra ver se teu olhar
Vem me visitar

Ah, quem me dera
Se você ficasse quietinho
E ouvisse o sussurro
Do meu coração
Que chora apertado
Bem baixinho
Que chora disfarçado
Pelas penas que você perde pelo caminho
Pelas cenas dos próximos capítulos 
Pelas primeiras
Pelas segundas-feiras 
Pela delícias ligeiras
E pelas carícias derradeiras

Quem me dera
Te amar sem medo
Fazer do teu olhar
Meu exclusivo luar
Minha canção de ninar

Quem me dera
Teu ouvido na minha janela
Confundindo pouso de mosquito
Com pudim de canela

Sei que não sou a mais bela
Pra você ser minha fera
Vociferando conclusões
De sonhos esparsos 
Falando ao relento
Sobre o tempo e o espaço
Falando sem parar
Do futuro ao passado 
Entre o dormir e o acordar
Sem sequer esperar
Meu coração descansar

Ah, quem me dera
Mas nem dormindo
Você fica quietinho

Irá você um dia
Traçar um mapa de empatia
Do meu talvez ao teu bom dia?

Quem me dera
Tua rebeldia
Na minha janela
Tua utopia
Na tela pintada
Na parede da sala
No desenho que eu fiz
Pra gente ser feliz

Quem me dera
Teu nariz
No faro do meu triz


by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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ilustração deste poema: UK-based artist Robin Wight uses stainless steel wire to form stunning, dramatic sculptures of winged fairies dancing in the wind.

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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