Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Pode ser lambretta]

Logo vi que de forte não tenho nada… não tenho vaga na calçada, não como bolinho com mostarda nem apareço na sua lembrança da noite passada… Pois é, só que a carne é fraca… mas não há de ser nada, não. Pode ser que eu chore, pode ser que eu volte, pode ser que eu quebre a cara.

Eu to de bota e to de boa, mas não pense que fico à toa ainda por muito tempo… Pode ser que a espera vire desprezo. Pode ser que você mesmo não me escolha. Pode ser que a folhagem morra e que a paisagem encolha. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que você me renda.

Queria agora poder olhar na sua cara e entender porquê você só me ama quando está na minha casa. Porquê você me leva na manha, me arranha e me abraça forte quando vai embora. Queria saber porque você não me chama se é pra mim que você reclama quando pesadelos povoam sua cama.

Cansei da sombra, cansei da água, cansei da perna dobrada. E do braço cruzado, da panca de otário, do copo quebrado. Cansei de cair de barriga. Cansei de guardar lugar na fila. Cansei de remar, de sonhar, cansei de olhar pro lado e te ver ali embriagado caçando sorrisos mofados.

Quem você pensa que é? Qual o seu disfarce quando conversa comigo sobre cenários e abismos, sobre glossários e eufemismos, sobre salafrários e casos ambíguos? Confio no seu umbigo. E no seu discurso frenético. Mas pode ser que seu tempero cético não queira nada sério.

Que patético!

Pode ser que eu solte o que me amarra. Pode ser que eu cresça, pode ser que eu inverta minhas certezas. Pode ser que eu entenda que suas prioridades não têm lugar pra minha agenda. Pode ser que na segunda-feira você me prenda. Pode ser que eu compre uma lambretta. Pode ser que você me perca.


❝ by Tina Teresapanicmonday

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ilustração deste poema:
Efeito sobre photo de Emerson Alexandre

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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