Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Vontade inventada]

Sigo dormindo, acordada, chorando, viajando ou rabiscando nas suas costas com minhas unhas macias de segunda a segunda enquanto você sonha (ou não). Sei lá se você desconfia…

Acredite você ou não, entenda ou não, aceite ou não… Eu sigo… E sinto uma vontade danada de trazer teus passos lentos direto pra minha armadilha. E quando eu sinto a tua pele, então? Sai faísca de mim… Ah, você sabe… Mas… E se for mentira?

Daí você aparece com esse sorriso largo improvisado, me olha de cantinho, meio de lado, e quando eu percebo eu te quero. E quero tanto que chega a doer e claro que rola um medinho gelado. Seja segunda-feira, seja meu casaco bordado, seja meu grito abafado.

E eu fico cuidando pra não transparecer, pra não atropelar o destino, pra não mudar teu rumo ou direcionar teu caminho… Mas a verdade é que mesmo que as esquinas que você cruzou sem mim tenham roubado muito de você, eu não me importo de ficar com o que ficou. Acredito que tuas sobras são muito mais do que já me pertenceu e, junto com as minhas, formam mundos ainda mais belos e mais sinceros.

Então… vem comigo. Vem que a gente traça novos rastros para os teus sonhos que se perderam. Porque eu to cansada dessa montanha-russa de gente na minha vida querendo sumir como se nunca mais fosse voltar e depois voltar como se fosse ficar pra sempre… e não ficar. Eu to cansada. E eu tenho vontade. E eu não quero mais nada que não seja você. Eu quero desenhar junto seja lá o que for, seja lá o que der, do jeito que a gente quiser.

Talvez você sequer exista. Mas mesmo inventado você ainda é tudo e demais pra mim. O que não existe me pertence? O que eu invento é present tense? Eu trago um gole de café e te ganho com um pedaço de queijo… E te amo, te afago, te invento, te beijo. E te atento tanto que você, mesmo indiferente, de repente… Não, não se despeça, ainda estamos pendentes. Falta o meu presente, falta aquela promessa… Falta aquela vontade inventada de amar eternamente.


❝ by Tina Teresa | @DiaboliqViolet ♥ panicmonday

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Illustration by Barbara Ana Gomez, inspired by the song ‘Sophia’ (Laura Marling) > and posted in her colection Illustrated Songs.

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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