Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Confissões]

Se é questão de confessar
Não gosto de cama arrumada
Cheia de pompa, com a coberta dobrada

Eu só quero te contar
Que nem café eu sei fazer
Tampouco jogo bem xadrez

Mas arraso na sobremesa
E escrevo com presteza
Minha poesia sobre sua tez

Te deixo de queixo caído
Com meu brincar de imaginar
Faço cor, aconchego e o que mais for permitido

Se é questão de confessar
Gosto de misturar doce com salgado
Pão de queijo com melado

Almoço seu vocabulário
Em doses homeopáticas
E permito que o céu chova falácias

Mesmo que eu faça varal no banheiro
Que eu me estrale a noite inteira
Ou que eu durma com três travesseiros

Cubro-lhe de beijos no meu leito de ninar
Pra compensar a falta de jeito
Ao preparar o jantar

Porque todas as profecias de amor que fiz
Nestes infinitos dias de verniz
Foram cegas, erradas, perdidas

Consumiram-me noites de sono
Noites de amor, retalhos de pano
E nunca foram realmente por mim

Tudo isso até agora
Quando a chuva lhe trouxe, sem demora
Do céu dos seus olhos à minha memória

Pra gente desenhar um novo caminho
De jipe, de moto, com café e açúcar mascavo
De verdade, com vontade, de mansinho

Se é questão de confessar
Pertenço a teus braços
Seja em dia de chuva ou em noite de luar

Pois amanheço com música
E dirijo cantando até que a curva dobre
Até que cada encontro se renove

Até que a descoberta vire festa
E a valsa vire sonho
Enquanto a fantasia se manifesta

E quando você paira do meu lado
Vejo o tudo e o nada
Num compasso inacabado

Sem fim, sem medo, sem mundo
Primeiro um beijo, um cheiro num segundo
Segunda-feira à nossa maneira


by Tina Teresa

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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