Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Chuva Prata]

Não tinha motivo para não ir,
mas rolava um receio,
um aperto no estômago,
não tinha explicação. 

Desculpas pra ficar surgiam a todo instante.
A chuva poderia ser a culpada.
A pontinha de dor de cabeça, também.
Assim como o trânsito, a preguiça,
o desconforto no pescoço,
a vontade de ficar debaixo das cobertas
assistindo seriado atrasado… 

Mas de repente
a gente tinha hora marcada.
E daí era pra valer.
E o vidro do carro embaçado,
o café adocicado,
as voltas na quadra procurando vaga,
a fruta trocada,
o fone sem estéreo
e o adaptador da tomada
eram motivos de sorrisos. 

A chuva nem atrapalhava.
Eu fazia que nada era nada,
que não tava nem aí,
que pouco me importava.
Mas a verdade me esmagava.
A segunda-feira vai chegar atrasada.
Eu não precisei falar nada,
porque você já sabia de tudo. 

Fosse preto ou fosse prata,
não rolava mais medo de dar mancada.
Mentira, rolava sim.
Fosse mesmo você mesmo.
Venha o que vier, seja o que for,
se falei demais, se o que li foi muito,
se duvidei um pouco,
se entreguei o jogo… Foi. 

E que seja o que tiver de ser.
E que seja o que a gente quiser,
haja o que houver, chova o que chover. 

Porque existe um sol dentro da gente
que brilha docemente,
intensamente.
Um sol eloquente.
Que me faz ver estrelas
no céu da tua boca.
E que traz o aroma do mar
para os seus olhos
enquanto a chuva prata
desenha arco-íris
nos meus cabelos dourados. 

E daí se estava nublado?
Apenas sinta, não minta.
O tempo tem a cor que a gente pinta
quando estamos com os olhos fechados.


by @DiaboliqViolet

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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