[Pronto. E ponto.]

Se me apronto, é ponto?
Se demoro, comemoro?
Contra-ponto em prantos.
Não, não choro, mas imploro…
… por uma laçada, um alinhavo,
um ponto.
Inacabado, é claro.
Porque nada nunca está pronto.
Porque agora eu me declaro…
… amante de retalhos emendados.
Ponto a ponto. Delicado.
De cada lado encontro
…
caracóis de linhas…
… costurando amores temporários
em corações imaginários.
É tão tonto esse sonho
que padeço pouco a pouco.
Ponto a ponto. Quase pronto.
De pronto.
Segunda-feira eu conto.
Não me ame sem pesponto,
não me abrace sem moldes,
não me costure sem abraços apertados.
Só lamento, não aguento.
É um tormento, falei, pronto.
Agora chega?
Teu dedo me dá choque
e teu toque me dá medo,
teu pelo me acorda
e tua boca me dá corda.
Não, não to morta.
Não me morda.
Pouco importa.
Giro a chave, fecho a porta
e logo adormeço.
É só o começo.
Tô toda torta, mas nem ligo.
Sei que apronto, volte logo
que prometo mais um ponto.
Ou uma massagem.
Teu leito comigo.
Eu consigo.
Teu acordo,
meu abrigo.
–
[durma até sonhar, viva até acordar…]



