Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Ainda lembro]

ainda lembro como se fosse ontem
música alta, perfume surrado, quase de porre
ainda lembro cada gargalhada
come se fôssemos nobres

lembro de cada palavra trocada
que trocávamos e tentávamos nos entender
e de cada passo trançado que trançávamos,
tentando nos dissolver…

ainda lembro da gente
no meio de tanta gente estridente
lembro como se fosse presente
lembro de você ser meu presente

um presente que ganhei
do universo latente
um presente sorridente
que me fez adolescente

lembro do teu abraço frágil
e do teu sotaque mágico
véspera de feriado
minha mente perdida no espaço
ou na falta de espaço que havia
entre o nosso beijo e a nostalgia
entre a minha promessa e tua despedida
entre as mentiras frívolas
e as verdades tardias  
lembro da noite e do outro dia

ainda lembro do que não fizemos
e do que não dissemos
ainda lembro do porão escuro
onde guardei meu orgulho
e deixei o mundo todo me engolir
de corpo e alma eu mergulho
na ternura do teu abraço
na segunda-feira eu disfarço
e a cada dia mais eu te trago
pro meu refúgio de amores raros

já tentei fugir, mas agora eu encaro
todo transe, todo medo, todo desapego
toda dúvida, toda dívida, toda vertigem perdida
eu encaro toda distância adormecida

ainda lembro como se fosse ontem
tão leve, tão entregue
você apareceu como se fosse hoje
e me amou como se fosse sempre 

nunca me senti tão protegida
nunca pensei que fosse só encanto
nunca pedi que você fosse tudo
nunca achei que tudo fosse vida

ainda lembro como se fosse ontem
comecei a te amar quando te vi
quando o tempo parou, adormeci
e no meu sonho eu te sigo
e te sinto, tão lindo, num lampejo    
será que você vai me encontrar
pode vir, não tenha medo
será que você vai me achar
aqui pra onde eu vim?


by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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ilustração deste poema:

Another ballon girl ❤️🎈 Ink and watercolour art by @mister_everybody

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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