Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Amor, adorno, deslize ou abandono?]

Te cansastes de mim, foi isso?
Preferistes o tempero ácido
ao meu olhar nostálgico?

Escolhestes a rebeldia
ao meu abraço no final do dia?
Te cansastes da minha poesia?

Nas noites de anteontem
Deparei-me com tuas pupilas brilhantes
Mascando faíscas crocantes

É evidente, ninguém é vidente
Mas o que salta aos olhos dói no ventre
E o que ecoa fica à toa, dormente

Queria ser odalisca
Orbitar tuas pupilas distantes
Te cansar e te deixar ofegante

Para que não me deixes
Para que me desejes e me incluas nos teus planos
Para que me convertas em momentos insanos

Queria te gostar menos
Pois se te cansastes de mim quando te recebi sempre contente
Foi por tonta sintonia, por entrega, por magia

Te cansastes de mim e não me avisastes
Logo vi que a demora eram horas gastas em novos semblantes
Everybody lies, não precisa me lembrar, não te quero petulante

Te cansastes de escolher?
Ou de pagar pra ver? Te cansastes do meu café?
Te cansastes de querer que o mundo girasse em marcha à ré?

Falando em passado…
Na segunda-feira, do teu lado
Notei que a gentileza era fachada

Te esquecestes de manter a boca fechada
Te entregastes nos comentários marcados
E me perdestes num suspiro estalado

Quantas vidas queres levar?
Quantos sorrisos partidos ainda esperas ganhar com tuas investidas sortidas?
Quantas figurinhas queres colecionar com esse discurso amassado?

Queria tanto saber quem tu és
Se é que algum um dia sabemos quem realmente somos
Se é que algum dia entendemos se o que escolhemos é amor, adorno, deslize ou abandono

Queria tanto entender por quê me perguntas tanto
Se eu me largo aos cantos, se eu me esmago em prantos
Eu te aguardo, por enquanto. Apenas por enquanto… Porque eu também me canso.


❝ by Tina Teresa ★ @DiaboliqVioletpanicmonday

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Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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