Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Ano novo]

_

Quero cabelo sedoso,
um corpitcho novo,
a pele mais macia,
rugas de telepatia
e um cochilo ao meio-dia.

Quero aconchego
embrulhado pra presente, 
daqueles que pra abrir,
é preciso usar os dentes. 

Quero um bocado
de calda de caramelo,
daquelas que formam fios
e lambuzam as mãos,
o rosto, a boca, o prato,
o bolo, que rolo! 

Quando acaba um ano,
o que será a sobremesa
dessa ceia toda,
ora saboreada com gosto e pressa,
ora travada na garganta
feito uma travessa
de pimenta
ou um gole de soda cáustica? 

Essas palavras ácidas
definem quem eu sou
ou quem você permite que eu seja? 

Esse falso humor barato
diz mais sobre quem quer que seja você
do que você pensa que é. 

Ou quer ser. 

Ou aparenta ser. 

Ou já foi. 

Foi tarde. 

E ainda boceja. 

Esvaiu-se com o ano
que insiste em acabar
e acaba exercendo
uma pressão psicológica na gente
maior que qualquer
mousse de chocolate de liquidificador. 

Porque pequenos segredos
ou pequenas desventuras
não tornam ninguém mais forte. 

Tampouco grandes projetos emprestados
defendidos com voz melosa e espalhados
com panos bêbados de desinfetante. 

Mentiras cotidianas não se calam,
ofensas veladas escondem-se
em frestas de ventilação,
farpas geladas rasgam carnes quentes
em predicados latentes
porque a sinceridade não tem
cadeira pra sentar,
apenas um leito pra deitar
e esperar a morte chegar,
ou o ano findar
sem deixar sequer poeira,
já que uma simples besteira
falou mais alto que a respiração. 

Coração nenhum bate de bobeira.
Nem em plena segunda-feira.

Não afine a voz, não.
Essa estribeira ainda vai botar
toda essa angústia na linha. 

Vem fingir que tá tudo bem, vem.
Tenha medo da chuva, não.
Vem tomar sorvete de creme
com cobertura de gelatina
que escapa e treme na base,
não pare, não tema, não há problema,
apenas tente, coma, lute, não morra,
chova, viva o novo de novo,
depois da chuva,
antes da próxima segunda.

 –
by Tina Teresa

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