[antes do chão]

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eu amo teu sorriso
e até teu deboche
quando diz “eu não preciso”
eu amo teus olhos profundos
e teu caminhar moribundo
amo teu cheiro
teu suspiro partido ao meio
eu amo teu silêncio que se mexe
quando o mundo encosta demais
e tu finges distração
amo teu atraso crônico
para as certezas
e essa pressa curiosa
de viver agora
amo teu jeito de ir
sem sair do lugar
de ficar
sem se explicar
de quase cair
e ainda assim levantar
te reconheço em mim
no modo de respirar antes da fala,
no tempo que segura o gesto
sem travar o movimento,
na pausa que se sustenta
sem pedir tradução,
no riso que acontece
e segue
te reconheço
onde o passo aprende
antes do chão,
onde o tempo passa
e pausa no meu coração
atravessando a segunda-feira
sem pedir licença
ao calendário
ou à contramão
o passo segue
e eu te amo
entre cafés
pensamentos
parafusos
ruas
sou toda tua
sempre
mesmo sem lua
entra ano, sai ano
a vida passa
a pele arde crua
–
Tina Teresa
★ ilustração deste poema: foto de família editada.
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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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