Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Ao redor]

Sigo petiscando saudade
Ao final de cada estação
Na vibe entre o sim e o não

Se o instante feliz vira desejo
Choro diante do espelho
(Ao redor) do meu sossego

Lembro do timing que nos aproxima
Tento enxergar a saudade na colina
São seus braços misturados à neblina?

O que temos em comum
é o que nos diferencia
(Ao redor) da luz do mesmo dia

Deixo que as lágrimas levem
Todo o traço, todo o cheiro
Cicatriz de apego derradeiro

Tão longe, tão perto
Desalinha o meu deserto
(Ao redor) do meu avesso

Do outro lado da linha,
a mesma lua, o mesmo teto
O mesmo tempo incerto

A nossa valsa, o nosso samba
Na corda bamba a gente dança
(Ao redor) da volta-e-meia da ciranda

Cedo demais ou depois de horas?
Andar pra trás te traz de volta?
Atrás da porta eu guardo a bossa

Essa demora faz bagunça
Lambuza as noites, esfria os dias
(Ao redor) das asas da alegria

Cozinho o sono num banho morno
Afogo a fome numa nuvem de espuma
Atraso o sonho no edredom de outono

Haja fôlego pra essa espera instável
Até a segunda-feira pula a cerca
(Ao redor) da mesma dúvida inefável

Então a ressaca da resposta azeda,
abandona na esquina da lembrança
a vontade esmagada feito folha seca

Quero cores, amores e beijos sem fim
Vê se não esquece de ligar pra mim
(Ao redor) do aroma do meu chá de jasmim

Senão a saudade vira aperitivo, vira estopim
Porque você escolheu meu jardim
pra plantar suas flores de cetim

Eternal sunshine, confunde a mente
Difunde o brilho do sol ao ventre
(Ao redor) da vida, bem na sua frente

Onde será que guardei a memória
Do nosso passo colorido na calçada
Foi nessa spotless mind iluminada?

Por isso deixo o dia à luz da noite
Hipnotizo a liberdade absorta
(Ao redor) de cada pétala solta

Sobrevivo, sobrevoo, sinto, pouso
Deixo todo meu destino envolto
Pelo brilho do sorriso no seu rosto

A mesma lua, o mesmo teto
Petisco saudade até acabar o inverno
(Ao redor) da lembrança deste brilho eterno


❝ by Tina Teresa ★ @DiaboliqVioletpanicmonday

**
Photo by @leodorio_

Loading spinner
[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Leu, sentiu, pensou? Joga uma fagulha nos comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

[durma até sonhar, viva até acordar…]

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
Invalid email address

Mais poemas

  • [compasso alado]

    [compasso alado]

    _ então fica assim não engula as perguntas para seguir em passo nem passe mais um ano descalço engula apenas pra fazer pazes e dar passagem pra segunda-feira que insiste em se atravessar algumas perguntas não sabem esperar outras só amadurecem no estômago  e tem as que pedem tempo e seguem sem alarde sem rótulo…

  • [pluribus]

    [pluribus]

    _ A segunda-feira não chega sozinha Vem carregada de restos do domingo, listas mentais, promessas reaproveitadas, desejos que ainda bocejam com gosto de cozinha Segunda-feira é acúmulo em movimento Um dia que já nasce atravessado por vozes, tarefas, vontades contraditórias Café da manhã com cheiro de tormento Por isso ela assusta e seduz Por isso…

  • [Dezembro]

    [Dezembro]

    Dezembro. A sexta-feira do ano Um mês em combustão lenta que não termina: incandesce Mesmo por debaixo dos panos É quando as promessas ficam com cheiro de papel novo E as pendências querem estacionar no calendário antigo De novo? Dezembro é festa e balanço É febre de fechamento ,é luz piscando antes do corte, é…

  • [Sob a tela da janela]

    [Sob a tela da janela]

    Sob a tela da janela A viagem segue lenta A paisagem acalenta O céu esquenta o coração   O tempo dobra os quilômetros Costura nuvens e estradas Cada olhar encontra pouso Cada pausa vira mirada   Na imensidão   Sob a tela eu ensaio Um passo enfadonho Talvez um sonho Um recomeço, um pouco  …