Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Brigadeiro…]

Tem coisa que não tem por quê
Precisa explicar?
Tem coisa que é assim, com gostinho de saquê
Precisa detalhar?
Tem resposta que não existe
Tem momento que apenas persiste
Tem sorriso que transparece a alma
Tem pergunta que não cala
Como se o silêncio dissesse tudo
E uma simples respiração movesse o mundo

Tem jeito que surge e ganha vida
Jeito de falar, de escutar,
de escolher a comida
Tem jeito que aparece sem avisar
E toma conta do jardim de casa
Faz florescer uma nova morada
Uma nova segunda-feira alucinada
Da sacada à colina
Do lençol à lamparina
Do sonho de menina à flanela da cortina

E é ótimo, sabe por quê?
Porque a falta de motivo brinca com a rotina
Manda flores no meio da tarde
E leva brigadeiro com gosto de saudade
A falta de motivo me duvida, mas me mima
Me carinha, mas me cala
Me espera e me guarda
Me solta e me aguarda
Me segura e me encanta
Enquanto eu cato em cada canto
Mais motivos pra sonhar

O que é ótimo
É simples assim
Geleia cor de carmim
Feito minha boca entreaberta
Que espera mais um beijo
Mais um chamego
Um carinho assim, assim

Chega de falta de motivos
Vem pra perto, aqui no meu ouvido
E fala mais um pouco
Discurso manso, desejo louco
Nada de extraordinário
Apenas o necessário
Assim, na medida
Nem demais, nem de menos
De leve, breve, palavra colorida
Tanto faz, já é eterno

O que é ótimo basta
Não tem por quê
Karaokê a contraponto
Não tem clichê
Ah, se eu pudesse
Mostrar pra você
Toda a adrenalina que circula
Aqui dentro do meu ser
Você veria cada curva
Cada drift, cada fala muda
E aceitaria
Que você é ótimo
Por ser o que é
Por fazer o que faz
E sentir o que me traz
Esse aperto todo
Sem medo tolo
Sem emoção fugaz


❝ by Tina Teresa | @DiaboliqVioletpanicmonday

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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