Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[De graça, nada]

Nada vem de graça. 

Nossa vida é uma constante transformação, momentos de paz e equilíbrio nos invadem, a segunda-feira vem toda a semana fazendo alarde.

De repente parece que a rotina não tem graça e um choque de realidade, de pura maldade ou falta de maturidade nos confronta. Então tudo contrasta.

Quando isso acontece, a acidez nos abraça e o instinto toma conta. Daí a visão se livra da neblina que nos afronta e o aconchego nos abandona.

Mas é bom. Ignorance is a bliss. Conhecimento dói. Saudade corrói. Palavras ditas docemente criam promessas e desejos inconsequentes. E tudo se despedaça.

É uma pena que você faça pirraça. É uma pena que nossos assuntos pendentes fujam do presente e se evaporem na vidraça dos nossos sonhos, feito fumaça…

De ofegante, teu beijo virou tratante. Parecia passeio na praça. Ou na praia, numa agenda falsa. Virou desgraça. Passa ou repassa? Nada vem de graça.

Mesmo que eu culpe aquela maquiagem frustrada ou a noite lotada de olhares tensos e desencontros intensos.

Mesmo que uma simples fotografia seja motivo de agonia pelo brilho combinado entre o gole trocado e o pecado anunciado.

Ou que o recado deixado fira feito adaga atirada nas costas que doem, machucadas. Se a noite é uma criança, que dizer da madrugada?

Talvez a roupa amassada ou a toalha jogada sejam cartas marcadas. Ou só mais uma rodada, uma aposta inebriada. Uma ameaça atravessada por um oceano de trapaças.

Do que você acha graça? Você pensa que um “bom dia, gata” disfarça? Você pensa que o teu cheiro grudado no meu travesseiro ainda te aguarda?

Prepare o vinho que eu levo a taça. Ofereço um brinde à escolha nefasta. If it was a tinder, you better whatch out. #Simplesassim: nada vem de graça.

Mas ainda há graça nas mancadas do destino. Não economize sorrisos nem esconda essa mágoa isolada sob uma capa mágica. É bom soltar as lágrimas. Tudo passa.


❝ by Tina Teresa ★ @DiaboliqVioletpanicmonday

**

Loading spinner
[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Leu, sentiu, pensou? Joga uma fagulha nos comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

[durma até sonhar, viva até acordar…]

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
Invalid email address

Mais poemas

  • [compasso alado]

    [compasso alado]

    _ então fica assim não engula as perguntas para seguir em passo nem passe mais um ano descalço engula apenas pra fazer pazes e dar passagem pra segunda-feira que insiste em se atravessar algumas perguntas não sabem esperar outras só amadurecem no estômago  e tem as que pedem tempo e seguem sem alarde sem rótulo…

  • [pluribus]

    [pluribus]

    _ A segunda-feira não chega sozinha Vem carregada de restos do domingo, listas mentais, promessas reaproveitadas, desejos que ainda bocejam com gosto de cozinha Segunda-feira é acúmulo em movimento Um dia que já nasce atravessado por vozes, tarefas, vontades contraditórias Café da manhã com cheiro de tormento Por isso ela assusta e seduz Por isso…

  • [Dezembro]

    [Dezembro]

    Dezembro. A sexta-feira do ano Um mês em combustão lenta que não termina: incandesce Mesmo por debaixo dos panos É quando as promessas ficam com cheiro de papel novo E as pendências querem estacionar no calendário antigo De novo? Dezembro é festa e balanço É febre de fechamento ,é luz piscando antes do corte, é…

  • [Sob a tela da janela]

    [Sob a tela da janela]

    Sob a tela da janela A viagem segue lenta A paisagem acalenta O céu esquenta o coração   O tempo dobra os quilômetros Costura nuvens e estradas Cada olhar encontra pouso Cada pausa vira mirada   Na imensidão   Sob a tela eu ensaio Um passo enfadonho Talvez um sonho Um recomeço, um pouco  …