Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Despedidas acumuladas]

Despedidas acumuladas não pesam de uma vez.

Vão se guardando nos cantos —

entre fotos que ninguém revela,

mensagens que param no meio da frase,

e aquele cheiro que insiste em ficar no casaco.

 

São como poeira de constelação:

cada grão, um instante que partiu,

mas que ainda brilha um pouco antes de sumir.

E, quando a gente menos espera,

essas pequenas partidas se juntam,

fazendo um céu inteiro mudar de cor —

uma segunda-feira que chega sem aviso,

com o peso leve das ausências empilhadas.

 

Despedir-se não é só ir embora —

é aprender a deixar partir pessoas,

coisas, conceitos, verdades desbotadas,

premissas que perderam o peso,

promessas que viraram vento.

 

É esvaziar as mãos para que algo novo possa pousar,

é abrir espaço no peito para o que ainda quer nascer,

mesmo que seja o silêncio antes da próxima palavra.

Despedir-se é soltar, soltar, soltar — e ainda assim continuar.

 

Artwork by Roberta Sant’Anna para Unsplash+

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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