Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Desprendimento]

Se não consegues sentir o sabor da chuva nas uvas que colhes, procure comê-las enquanto ainda forem flores e carreguem no ventre minhas lágrimas circenses.

Se queres um dia te tornar, perdidamente uma rosa, desista de tentar perfumar e aprenda a aquecer, só aquecer, indiscriminadamente o luar. Livra-te em mim, banha-te com meu néctar, embriaga-te. Descubra-te de todos os teus desprazeres e desvenda-te em mim. Carrego o perfume do jasmim por tudo o que jaz em mim.

Sem corpo, sem crença, teu fogo me alimenta e a segunda-feira me tormenta, arrebenta, ostenta e fere os pecados com flechadas de porquês. Queria agora um gole de saquê pra chorar sobre as nuvens enquanto os vaga-lumes dançam sobre teus costumes.

Queria agora desvendar todos os teus “ses”.

Se a vida é breve, me carregue. Se o corpo pede, seja leve. Se o tempo tarda, não seja fogo de palha. A fala falha e a segunda-feira chega feito navalha.


❝ by Tina Teresapanicmonday


ilustração deste poema: The bloody Chamber, by Roberto Lanznaster.

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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