Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Diálogos] – parte 1 – de mim pra ti

Adoro te ver na penumbra
E sentir teu cheiro de sol
Adoro repousar no teu ventre
De segunda a segunda
Enquanto teu peito chia
Feito rádio fora de sintonia
Misturado ao barulho do mar
Ecoando na tua barriga fria
E fazendo dobras no meu lençol

Adoro acordar do teu lado
E trocar cochichos descompassados
Enquanto a redundância mista tua
Faz gentilezas sobre a alma minha nua
Domingo, dormindo, subindo pelas paredes
Zunindo, saindo, entrando, pedindo
Expelindo sonhos e coletando encontros
Desejos perdidos em canções ardentes
Enquanto que o que existe, resiste
E as cordas da viola choram tuas dores
Para além da saudade e dos outros amores

Adoro nossas impressões compartilhadas
Nossas figuras de linguagem atravessadas
Nossos diálogos desritmados
Sem preferências estrábicas
Definidas por convenções limitadas
Ou por opiniões repartidas
Numa curiosa simetria
Dissimulada por tua respiração arredia
Mergulhada no silêncio da noite
Abafada por teus extremos
E pelos teus risos altos
À espera do dia seguinte
E de todos os dias outra vez
Tua voz na minha tez
Destino atroz que te refez


❝ by Tina Teresapanicmonday


ilustração deste poema: Styven Magnes: Speech balloons | Classwork by Styven Magnes (2TID1) at HEAJ (Haute Ecole Albert Jacquard, Namur, B): graphic research inspired by Saul Steinberg’s work.

**

Loading spinner

[durma até sonhar, viva até acordar…]

Mais poemas

03NOV2014

[Ponto a ponto]

Muda o timbre Muda o tom Muda o som Muda o frame De repente, a gente treme Segunda-feira a gente sente Todo o tempo Muda o leme Crème de la crème Foi tão bom E tão perene Agora o ventre Tem nova flame Que chama Inflama E abocanha Toda distância Toda direção Toda escolha Coração […]

27OUT2014

[ कल ]Kala: presente, passado e futuro na Índia

Ainda não inventaram máquinas do tempo, mas garanto a vocês que visitar a Índia é como voltar ao passado. Tenho uma prima que se mudou pra lá há 5 anos e, depois de vários convites para uma visita, resolvi me organizar pra conhecer um pedaço do outro lado do mundo, afinal de contas, esse seria […]

20OUT2014

[Sem teto] ou [Em queda livre…]

Foi quando fiquei sem chão Que o céu se abriu sem nexo Depois de um dia comum, em vão O mundo se queixou perplexo O futuro estava tão perto E escorreu por minhas mãos De repente, não tinha graça Não tinha nada, não tinha teto Não tinha sexo, não tinha casa Não tinha som, nem […]

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
Invalid email address