Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Diálogos] – parte 1 – de mim pra ti

Adoro te ver na penumbra
E sentir teu cheiro de sol
Adoro repousar no teu ventre
De segunda a segunda
Enquanto teu peito chia
Feito rádio fora de sintonia
Misturado ao barulho do mar
Ecoando na tua barriga fria
E fazendo dobras no meu lençol

Adoro acordar do teu lado
E trocar cochichos descompassados
Enquanto a redundância mista tua
Faz gentilezas sobre a alma minha nua
Domingo, dormindo, subindo pelas paredes
Zunindo, saindo, entrando, pedindo
Expelindo sonhos e coletando encontros
Desejos perdidos em canções ardentes
Enquanto que o que existe, resiste
E as cordas da viola choram tuas dores
Para além da saudade e dos outros amores

Adoro nossas impressões compartilhadas
Nossas figuras de linguagem atravessadas
Nossos diálogos desritmados
Sem preferências estrábicas
Definidas por convenções limitadas
Ou por opiniões repartidas
Numa curiosa simetria
Dissimulada por tua respiração arredia
Mergulhada no silêncio da noite
Abafada por teus extremos
E pelos teus risos altos
À espera do dia seguinte
E de todos os dias outra vez
Tua voz na minha tez
Destino atroz que te refez


by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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ilustração deste poema: Styven Magnes: Speech balloons | Classwork by Styven Magnes (2TID1) at HEAJ (Haute Ecole Albert Jacquard, Namur, B): graphic research inspired by Saul Steinberg’s work.

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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