[Doer, dói sempre]

A cada dia fazemos escolhas.
Da camisa amassada
ao sapato embolorado,
da calça que não serve mais
ao futuro embriagado.
Ir ou não ir,
comer ou não
aquela torta recheada,
beijar ou não
aquela boca safada.
Pois é, do sabão a gente faz bolha.
Da brincadeira de bombeiro ou astronauta
surgem desenhistas, advogados, jornalistas.
Da segunda-feira nascem trapezistas.
E, sabe de uma coisa?
Crescer é colecionar sonhos.
Decidir o que ser quando crescer é tão relativo.
Fugir pode ser repetitivo.
Seja em casa, na escola,
no parquinho ou no trabalho.
Seja desenhando tratores
ou rufando tambores.
Esteja o céu trovejando
ou o sol brilhando.
Crescer é escolher viver.
E crescer dói,
já disse Raquel de Queiroz:
“Doer, dói sempre.
Só não dói depois de morto.
Porque a vida toda é um doer.”
Entre passos no asfalto
ou com barro no sapato,
de moto ou de charrete,
o que nos aguarda não tarda,
de repente vem voando num tapete.
–
by Tina Teresa
[durma até sonhar, viva até acordar…]



