Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Sob a orelha do elefante]

Sempre muda alguma coisa
Passo manco
Solavanco
Toda a culpa
Todo encanto
Fico muda
Fico estanque
Guardo o pranto na estante
Sinto passos de elefante
Engulo seco e desço
Do alto do meu tropeço
Engulo sangue e esqueço
Que grito não mata sede
Que lacre não prende alma
E corrente não acalma
Rasgos de memória
Nem remendos de história 

O sagrado é degradado

A cor nublada ganha sardas

Duchas de saliva com terra

De mordidas com treva

Despedidas a ingressos contados

Cada golpe, cada trote

Cada pose, cada toque…
grava um marco no meu ventre 
Enquanto sopro de trás pra frente 
E sua voz me faz demente 

Então na lenda onde existo

Penso no fino e leve cisco

Que adentra meu sonho apertado

E pousa no meu olho fechado

Assim eu choro quando te vejo

E me curvo ao teu desejo…
de montar minha pança torta 

E dançar feito gelatina

E sentir-se maior que qualquer esquina

Com o orgulho na retina

Mas com o estômago encolhido

E o coração ferido 

Eu sei

Eu sinto 

Mesmo que eu já não ande

E que o sol misture meu nome

Com tua beleza radiante

Sempre muda alguma coisa

O depois é pra sempre

Nunca mais é o que era antes

Se orelhas fossem asas

Não haveriam elefantes 

… 

Nem deuses, nem preces

Nem causas despedaçadas

Nem passeios deslumbrantes

Ou rastros verdejantes

Nem razão ou prosperidade

É essa a sua prioridade?

Segunda-feira por liberdade

Ou vaidade por alma lavada? 
…Deixe que te levo 

Eu sei

Eu sinto 

Eu enxergo colorido

Eu salto agora e já não minto

Infinito largo meu passo

Grito surdo no teu abismo 


❝ by Tina Teresa ★ @DiaboliqVioletpanicmonday

**

Arte by Robert Jahns.
..

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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