Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Eu já…]

Eu engatinhei de costas,
caí do balanço e soltei pipa,

apanhei na bunda com pá de mexer fubá,
corri e cansei um bocado,
chamei professora de tia,
menti para não apanhar 
esperei a segunda-feira chegar
e já fiz bico e birra. 

Já caí do salto, já rasguei a meia
e pisei no vestido,
já meti a cara no vidro
e me esborrachei na gangorra do parquinho,

já me vesti de noiva, já morri de vergonha,
já assoei nariz em fronha,

perdi o rumo e enxerguei o fundo
sem cerimônia. 

E eu já decepcionei 
e já me frustrei também.
Já fiz pessoas sofrerem por minha causa,
já sofri por outras pessoas,

planejei me nivelar a alguém
e percebi que estava apenas permitindo
que continuassem a me magoar,
em plena segunda-feira eu tava mentindo. 

Já tive vontade de sumir,
já estive no palco como uma atriz,

já tomei porre, já fiz dieta e ginástica,
já surtei geral,
já chorei de tanto rir,
e deixei a segunda-feira fluir
já abracei pra proteger,
mas também já ri
quando não deveria
e falei mais do que podia (ou devia). 

Fiz amigos eternos
que quase nunca vejo,

mas nem por isso os desprezo,
muito pelo contrário.

Já amei e fui amada,
todavia já fui também rejeitada,

já fui amada e não amei
segunda-feira sem lei 

Já perdi amizades e as recuperei,
já beijei por beijar,

e também já virei noites
ora na internet, ora nas baladas,

já chorei sentada no chão do banheiro
e
já amanheci pensando
em alguém que não valia nada
segunda-feira extasiada. 

Já passei noite em claro,
Já passei o dia dormindo,
escrevi
poemas, contos e crônicas,
tive amores platônicos.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
quebrei a
cara muitas vezes
esperei a segunda chance 
e até já fingi que era verdade! 

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,

me apaixonei ora por um sorriso,
ora por um olhar, sem pensar…

Já acreditei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo
de perder alguém especial
(e acabei perdendo)
por pura falta de sanidade. 

Mas também já festejei datas,
retomei lutas, abandonei sonhos,

vi o sol nascer na estrada
com amigos de verdade.

Já comi polenta com leite,
já colei em prova de história,
 tirei dez em matemática
e até ganhei gincana de análise sintática. 

Já tomei banho de cachoeira e de rio,
já vivi de amor,
mas também
já me decepcionei com um grande amor.

Já disse “eu te amo” sinceramente,
já me disseram
“eu te amo”,
mas eu não sei se era pra valer… 
ou se era apenas entusiasmo
segunda-feira repelente.

Já fui promovida,
já fui demitida sumariamente,

já troquei de emprego,
já inventei trabalho.

Já mudei a rotina, joguei serpentina
e comi banana com mel. 
Pintei o cabelo de roxo, almocei miojo
e fiz careta pro Papai Noel. 

Já acreditei demais, já desconfiei demais,
me dediquei de menos.

Já me deslumbrei, já persisti num erro,
já aprendi com vários erros,

tomei sorvete no frio e sopa no calor,
já inventei lendas,

me escondi em tendas
e já comi pão-de-ló com gosto de isopor. 

…e você???

 


by @DiaboliqViolet

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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