Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Externalize]

Você
queria minha mão 
Meu corpo
inteiro
Minha
alma 
Minha
cabeça desligada
Minha segunda-feira
amarga 
Mas meu
coração
Esfolado
e cheio
De amor e
medo 
Caiu no
chão 
E se
partiu ao meio 
Sobrou
pra segunda-feira
Leve e
verdadeira 
Remendar
os buracos 
Do meu
peito inchado 
Que até
teus dedos 
Distorcidos
e opacos 
Suando a
tabaco
Insistiam
em alargar  

Antes que
eu [externalize] 
Quero
saber se foi o eclipse 
Que
causou tamanha desconstrução  

A cada
nova segunda-feira 
Você me
olha com a certeza
De quem
preenchem rasgos 
Extrai
doce dos amargos 
E me traz
um novo chão 
Me faz
mais uma vez inteira 
Se joga
na minha teia 
E nunca
Nunca
solta da minha mão 
Porque
dessa teia a gente salta 
A gente
sonha, a gente mata 
Toda
solidão 
Dessa
teia a gente desconstrói
Nossos
atritos e ruídos 
E se une
ainda mais 
Porque
agora somos nós 
E a segunda-feira
nos constrói 
Mesmo
quando o tempo rói 

– 

by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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ilustração deste poema: print ‘Externalize’ from Rose Ellen Swenson Art.

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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