[Ferida, família ou saudade?]

Não sei se é fome ou é saudade
Se é desapego ou liberdade
Toda essa vontade
de correr, pular e sorrir sem qualquer dificuldade
Dezembro chegou e me pegou acordada
Meia-noite virou e eu ali, toda atravessada
Trovando verbos, trocando versos, trotando passos dispersos
Amassando a almofada sem dó nem piedade
Cheguei chegando
Com os olhos brilhando
Sem sono, sem dor, sem ninguém me esperando
E com todo mundo se abraçando
Tão bom esse cheiro de aconchego
De tanto tempo, tanta vida, tanto desespero
Tanta cor, tanto amor, tanta história sem memória
Que alimenta esse bocejo de vitória
Outro momento assim não se repete
Talvez no céu ou num gole de grapette
A lembrança de um fim de tarde
Volte forte mas sem alarde e com gosto de sorvete
Ferida que arde feito corte de papel
Não sai sangue nem aparece na pele
Só faz lembrar que eu também estive lá
Naquele carrossel de gerações, de ciclos, de pequenas bombonières
Família é tudo isso e nada disso
Mistura de arte com feitiço
Cada uma com sua parte e não se fala mais nisso
Coceira de bem querer, vem, vamos comer
Segunda-feira, quem diria, nem te vi
Mundo sem fundo, caiu uma fagulha aqui
Se era Verão ou Outono, não tenho dono
Se foi só mais um sonho, não quero mais dormir
by @DiaboliqViolet
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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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