Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Fragmentos]

Pode o coração mudar de lugar?
Depois do sol, depois da chuva,
do primeiro olhar, do primeiro beijo… 
Pode o coração mudar de lugar?
Eu sei, não era pra divagar
sobre apertos no peito,
mas seu olhar cor de champagne
todos os dias pela manhã
todas às segundas… devagar
segunda-feira a divagar
você joga a pergunta no ar:
pode o coração mudar de lugar? 

Depois de um carinho altruísta,
depois de uma rasteira egoísta,
depois de o outono chegar… 

Não me diga que é mentira,
essa tua fala vazia
esconde uma melodia. 

E as asas prateadas
camufladas no sótão
daquela casa abandonada?
Eu vi.
Teu olhar arrefecido e vermelho
Teu olhar seguiu meu rasante
e tuas asas brilharam.
E meu coração mudou de lugar. 
Passou a bater descompassado, 
queria fugir, virar faísca, 
nunca mais vislumbrar. 

Isso sim parece mentira.
Mas se eu acredito no faz-de-conta,
do not panic, it’s organic!
Não chore, foi apenas um pesadelo. 

Pode uma mesma casa
reunir tantas entradas?
Enquanto uma passagem serve de lar
seu olhar cor de champagne
no degrau da escada a descansar,
outra paisagem esquece
as correspondências no chão
por dias
e as folhas das revistas
que alguém um dia assinou
entortam-se e colecionam serenos. 

Não me destile teu veneno
porque eu passei e você não me seguiu.
Nem meu cheiro você sentiu. 

Mas a faísca…
Ah, a faísca você viu.
Só que você não vai me encontrar…

Porque meu coração mudou de lugar.
Ele está onde você menos imagina,
não o procure na esquina
dos meus sonhos…
Lá, sabe o que você pode achar?

Fragmentos de paisagem.

Liberdade.

Decolagem.


by Tina Teresa

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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