Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Intervalo]

Cada vez você fica mais perto do que não digo
The day I left behind was the day I lost in time
No (con)fuso horário onde tudo é claro
What’s yours? What’s mine?
Não faz sentido, contudo eu calo
E peço abrigo por onde passo
Perdi um dia no fuso horário
Segunda-feira virou relicário
Você está perto do meu perigo
Do meu silêncio, do meu castigo
Do intervalo do meu dia perdido

Tudo bem, querido…
A despeito do meu cortejo
Reflito de leve seu bocejo
E lacrimejo meu soluço no seu umbigo
Quem mora ao lado é o mendigo
O que eu não falo é o que te mantém comigo
O que eu sinto é o que te faz tão lindo
Por tudo o que eu quero é que não brigo
Tão distante, tão carente, tão latente
Segunda-feira de bobeira eternamente
Intervalo tão raro que persigo

O que sustenta de repente
Este dia tão quente que perdi na mente
[Por permitir pairar feito um voo de parapente
Todas as palavras que ficaram dormentes]
É o que eu não digo e guardo discretamente
No meu sorriso aflito
No meu olhar decidido
No meu abraço inerente
No meu coração insistente
Na segunda-feira impaciente
No intervalo que inseri entre a gente

O dia que perdi no tempo
Deixou meu cabelo esquisito
O tempero que ganhei ao relento
Foi regalo ou foi evento?
Foi angústia que ainda lembro
Do dia que tornou-se antigo
Da promessa que não necessito
Da segunda-feira que esperei afinco
Do que você acha que eu não consigo
De tudo o que escrevo e não digo
Do intervalo que perdi contigo

Praticamente não distinguo
Não percebo, não atinjo
Não escolho, apenas colho
Tuas palavras que repousam no meu sonho
Palavras presas me chamam de princesa
E se desprendem da alegria e da tristeza
E encontram uma segunda-feira travessa
Palavras disfarçadas de Fio Vermelho do Destino
Palavras destinadas a tocar vidas ao vento
Cada vez você fica mais perto do que não digo
Do intervalo do beijo que paralisei no tempo


❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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Art: cat yarn bowl by Felicia Nilson

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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