Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[A segunda-feira não é de lata]

Fiquei
parada, só existindo 
Esperando
o domingo cessar 
Mirando o
teto, olhando pro nada 
Aguardando
a segunda-feira chegar 

Fiquei
chocada 
Com seu
olhar ácido 
E seus
linguajar flácido 
Lamentando
o fardo 
Que
seguia seus dias pálidos 
Como se o
mundo 
Fosse
acabar 

Explosão
só abre passagem 
Quando
pedras 
Bloqueiam
o caminho 

Porque se
nos trilhos

corações 
Esbravejar
sem razões 
Pode
destruir de mansinho 

Aflição
não rega paisagem 
Nem
quando as rédeas 
Se perdem
do ninho 

A segunda-feira
não é de ferro 
Nem de
lata, nem de caramelo 
Nem de
chocolate 
Nem de
sorrisos sinceros, apenas  

Ela é só
mais um castelo 
Feita do
que você é 
Do que
você crê 
Do que
você quer, sem pena  

Então me
diga|
O que
você vê? 
E o que
você quer ser 
Quando
deixar de ser 
o que te
condena? 

Sério, me
diga
Por que
você reclama 
De quem
te ama? 
Por que
você inflama 
Se não há
chama 
Que
apague 
a segunda-feira
da semana 

Poem by Tina Teresa


ilustração deste poema: art by Shingo Matsunuma.  

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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