Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Paraíso]

Para quem? Paraíso
Para mim, apenas riso
Seria mesmo tudo isso?

Para tudo! Vem me acordar…

Cochicha no meu ouvido que o café tá pronto
Ajeita meu cabelo que ainda tá no sonho
E beija minha boca enquanto eu durmo mais um pouco
Então me ama num suspiro morno
Na segunda-feira sem retorno

Para com isso, tem pão com manteiga no forno
Vem me dar um banho
Lava o meu cabelo que ficou suado
Você tinha até ajeitado o cabelo pro lado
Mas do sonho só sobrou gemido
Beijo teu no meu paraíso
Segunda-feira tem arrepio

Para quem? Não para não!
Seca o meu cabelo que ficou molhado
Amassa bem pra ficar ondulado

Me amassa, meu bem, te quero jogado
Aqui do meu lado, atravessado, entregue, caído
Me deixa morder tua orelha, faz de conta, distraído

Deixa eu me apaixonar pela rotina que você não tinha
Deixa eu beber a mágoa que você não apaga
Deixa eu te convencer que minha urgência é surreal
E que meu paraíso não é artificial

Espalha meu cabelo que você acabou de ajeitar
Deixa eu me acostumar com teu bom-dia, todo dia
Puxa meu cabelo que você acabou de espalhar
E me ama com a saudade que bate na manhã fria
Na segunda-feira ao raiar do dia

Beija meu cabelo que você acabou de puxar
Morde meu desejo que você acabou de matar

Para quem? Para mim, só pra mim
Paraíso insuficiente que eu acabei de inventar
Paraíso verve em qualquer idioma
Universo ferve enquanto a pressa me abandona
Segunda-feira já era, paradise inflama

Torce meu cabelo que você acabou de puxar
Realiza o meu desejo que você acabou de beijar
Combina tua rima com esse clima que acabou de surgir
Escreve comigo uma nova estrofe pra gente cantar
Uma estrofe que não deixe esse mundo ruir

Para quem? Para-raio
Pra qualquer coisa séria virar amenidade frágil
Ou qualquer outra esfera me embriagar fácil

Arruma o meu cabelo que você acabou de torcer
Enquanto sobrevivo entre a desconfiança das aparências
E o confronto da convivência
Enquanto decido se me entrego ou me arrependo
Se me insiro na fotografia e te surpreendo
Ou se procuro o que não entendo

Paraíso etéreo me recicla
Acaso timbrado enamorado

Para quem? Para tudo
Pare o tempo, fique surdo
Fique comigo, meu abismo
Tempo desnudo
Paraíso parado no mundo

❝ by Tina Teresa ★ @DiaboliqViolet ♥ panicmonday

**


Art ‘PARADISE’ by INSA x ROIDS, Painted for POW!WOW! Hawaii, Honolulu 2014.

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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