Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Peito aberto]

Não quero mais pensar 
No passado que nos mordeu 
Por mais que ainda doam 
As feridas que você nos deu 
De graça 
Sem graça 
Como pontas de facas 
Em nossos peitos abertos 

Dizem que é preciso 
Morrer um pouco para viver 
E que mesmo escondidos 
Nossos sorrisos 
Hão de prevalecer 
Na raça 
Sem farsa 
Com força e com garra 
Buscando sentido 
Em cada amanhecer 

Porque a segunda-feira 
Chega para todos 
E a tua cadeia 
Está guardada no sufoco 
Das nossas gargantas 

Porque o que é nosso 
Volta ao nosso colo 
Sejam sonhos roubados 
Dados lançados 
Ou caminhos sequestrados 

Nosso peito continua aberto 
Mas só entram os convidados 
De alma pura 
E horário marcado 
Só entram os convidados 
Sem culpa 
Sem intenções duplas 
Aperto de mão de verdade 
E coração repleto de honestidade 

A segunda-feira ensina 
Que toda volta por cima 
Começa de baixo 
Pra ganhar impulso 
Com sangue nos olhos 
E força nos pulsos 

A segunda-feira nos vira 
De cabeça pra baixo 
Pra mostrar que a sina 
É a gente quem cria 
Tropeçando em falso 
Esbarrando em gente falsa 
Ralando no asfalto 
Entrando em fria 
E saindo escaldado 

Poem by Tina Teresa


ilustração deste poema: “The Key Demon” by Jared Krichevsky.  

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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