Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[pluribus]

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A segunda-feira não chega sozinha

Vem carregada de restos do domingo, listas mentais, promessas reaproveitadas, desejos que ainda bocejam com gosto de cozinha

Segunda-feira é acúmulo em movimento

Um dia que já nasce atravessado por vozes, tarefas, vontades contraditórias

Café da manhã com cheiro de tormento

Por isso ela assusta e seduz

Por isso ela pede manejo

Por isso ela pede poema

Por isso ela vem vestida de acordo

Por isso ela pede movimento para virar forma

Mais de um, mais de dois, mais do que cabe numa linha torta

A segunda-feira mistura. Fricciona

Desarruma a falsa ideia de unidade pura

É uma multidão de vozes que não precisa virar uma só para fazer sentido

É cheia de camadas e grunhidos

Ela aceita versões, rasuras, respirações diferentes no mesmo verso

Cada segunda singular ao avesso

vira plural que não pede desculpa por existir

E chega e some e soma e cega

A segunda-feira não nega

Você é quem vai decidir

Então decide assim:

com curiosidade,

com margem,

com a coragem de quem sabe

que pensar também é verbo em trânsito

no âmbito dos teus desejos

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Tina Teresa

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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