Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Prazo de validade]

Será que tudo tem prazo de validade? Se sim, será que é o grau de intensidade o que determina esse prazo? Don’t panic! A segunda-feira está quase no fim e a música que embala minha preguiça conversa comigo. Aliás, é comum músicas conversarem comigo.

Ah, se essa e outras canções tivessem o poder de transformar comportamentos. E então daí as atitudes teriam prazos de validade. Teria valia? Quanto vale uma nota musical? Uma nota, certamente. E um adágio? Um pedágio?

Outro dia me disseram que o sentido da vida depende da relação que estabelecemos com as pessoas. Enquanto cantamos sentimentos debaixo do chuveiro ou detrás do volante do carro, percebemos que cada relação depende da admiração que temos por essa ou por aquela pessoa.

Talvez por isso as relações tenham prazos de validade. Será que só admiramos até onde a vista alcança? Se ‘ad mirar’ é ter próximo aos olhos, que dizer das canções que choram amores ou provocam sabores sem nada mostrar mas tudo revelar?

As roupas que escolhi não vestir vão se amontoando do lado de fora do armário, criando um mundo à parte, solitário, que só eu vejo enquanto bocejo. Enquanto canto embalada e sinto sua presença velada disfarçada de lua cheia que invade minha sacada pedindo para ser admirada.

Teria a luz que reflete a lua validade prorrogada já que o escuro toma conta quando fecho os olhos? Qual o futuro do infinito se o que percebo são defeitos sem efeito, sem reflexo, sem pó de pirilimpimpim? Cabe a lua no meu jardim? Ou prefere ela adormecer um sonho bonito?

Cabe este canto no canto do seu encanto? Quanto tempo ainda tenho nesse tenso embalo intenso? Be yourself. E quem sabe eu te admire mesmo de olhos fechados. Mesmo que o prazo de validade expire. Mesmo que eu pire. E que aquele mundo à parte gire.


by Tina Teresa

Loading spinner

[durma até sonhar, viva até acordar…]

Mais poemas

25FEV2013

[Bola de neve]

Tão bola  Tão neve  Não demora  Não vá embora  Me leve  De leve  Na memória  Segunda-feira agora  –

18FEV2013

[Pronto. E ponto.]

Se me apronto, é ponto? Se demoro, comemoro? Contra-ponto em prantos. Não, não choro, mas imploro… … por uma laçada, um alinhavo, um ponto. Inacabado, é claro.  Porque nada nunca está pronto.  Porque agora eu me declaro… … amante de retalhos emendados. Ponto a ponto. Delicado. De cada lado encontro … caracóis de linhas… … […]

11FEV2013

[Das coisas mortas pelo caminho…]

Da borboleta tenho dó: o desfrute das asas coloridas chega de repente, resplandecente.  Vê-la caída no chão reflete a fatia de tempo cortada pelo rasante final.  Da ratazana, que dizer? Pelos amassados, olhos esbugalhados. Fim trágico de uma corrida mal sucedida.  Da barata passo perto por mero descuido. O que realmente quero é que seu […]

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
Invalid email address