[rebeldia]

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se estamos condenados à liberdade
queria eu um desejo à parte
talvez um verso
que seja menos certeza
e mais uma declaração de insanidade
pois quando amamos
alteramos probabilidades
mudamos decisões
retraçamos trajetórias
trocamos olhares
(re)definimos prioridades
quando amamos,
mudamos quem somos
e quem somos muda o que sonhamos
se estamos condenados à liberdade
vivemos um mapa com margens de manobra
um traço que volta e meia sai da borda
em dias que a decisão vem torta
como uma segunda-feira que brota
como um começo que não colabora
um desejo que nunca se esgota
e então quase sem perceber
a gente passa a caber
num espaço que ainda não existia
numa segunda-feira cheia de ironia
entre cabelos em rebeldia
e uma fenda aberta no instante
entre o que se move e o que se torna
entre o que ama
e o que morre
entre o futuro
e um porre
liberdade não socorre
só escorre
disforme
dobrando corredores, portas, rotas
moscas mortas
ensinando num ensaio fino
que desordem também é ritmo
que linha reta
é escolha ocasional
segunda-feira
eu me jogo ao seu sinal
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❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
★ ilustração deste poema: Acrylic Painting on Cardboard by @golsa.golchini.
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[durma até sonhar, viva até acordar…]



