[Sem teto] ou [Em queda livre…]

Foi quando fiquei sem chão
Que o céu se abriu sem nexo
Depois de um dia comum, em vão
O mundo se queixou perplexo
O futuro estava tão perto
E escorreu por minhas mãos
De repente, não tinha graça
Não tinha nada, não tinha teto
Não tinha sexo, não tinha casa
Não tinha som, nem alma, nem asa
Em queda livre numa cova rasa
Segunda-feira amarga
Fiquei preso àquelas vontades
Escravo de uma razão torta
De uma carência ambígua
Alimentada por um medo antigo
E por um desejo infinito
Quando me vi banido, varrido
A vi absorta e um pouco afoita
Até achei que ficaria diferente,
Mas apenas uma árvore nova nasceu
Onde antes o arrependimento
Impregnava o presente
Segunda-feira reincidente
Sem teto
Avesso ao universo
E a tudo mais que prezo
Esfolado da cabeça aos passos descalços
Interrompido por uma visceral falta de sentido
Surpreendido, bandido
Na densidade do dia seguinte
Acordado pelo coração nos olhos
E as lágrimas no sorriso
Rasgado pelo ralo entorpecido
Em queda livre, bandido
Segunda-feira acordei decidido
Naquele dia não podia
Eu até achei que não queria
Mas quando me deparei com seus olhos
Ah, seus mornos olhos
Tudo mudou, tudo virou
Num piscar de olhos
Eu vi meu mundo caótico
Por vezes psicótico e profético
Tragi-cômico e patético
Virar filme Technicolor
Em queda livre eu te decoro
Segunda-feira eu choro
Minhas convicções imutáveis
Se perderam nos teus passos rasos
Meu coração arisco de repente ficou calmo
Minha pressa áspera mudou teu repertório
Sei lá, pelo menos é o que eu acho
Você chegou falando baixo
Sabe, repertório se faz com o que se vê
E eu quero mostrar meu mundo pra você
Em queda livre, sem teto
De perto, de olhos abertos
Até que nossos olhos pisquem pela última vez
Segunda-feira talvez
—
by Tina Teresa | @DiaboliqViolet
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ilustração deste poema: ‘Colourant’ is a series of images produced by the duo of artists Floto+Warner (Jeremy Floto and Cassandra Warner) that seemingly turns large splashes of colorful liquid into sculptures that hover in midair. The photos were shot at a speed of 1/3,500th of a second, transforming the non-discernible and ephemeral to the eternal. The essence of photography – immortalize the transitory.
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