Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

banho

  • [Banho]

    [Banho]

    Banhei-me com flores
    Para livrar-me das dores
    E dos rumores
    Que a segunda-feira
    Vomita aos arredores 

    Banhei-me sem tempo
    Pois o vento sobra ao contrário
    Espalhando meus cabelos ao relento 

    Fiquei sem alento
    Segunda-feira insolúvel
    Banho sem consentimento 

    Segunda-feira volúvel
    Chuva de tormento
    Banho interminável

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Insoluble 27 x 40″ oil on linen $20,000 Casey Krawczyk.  

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  • [No banho]

    [No banho]

    Mais um dia escorre em nós, por nós, fazendo nós nos meus cabelos cor-de-mel. Nem respiro porque seu sorriso fica torto, refratado, molhado, absorto. E cada nó que eu desfaço respinga nos teus lábios e chicoteia teu fôlego. E te afoga. Te afaga. Te faz rir de mim. Quem sou eu senão versões e mais versões do muito que carrego dentro de mim? Vem se perder em meus braços, se emaranhar nos cadarços dos meus passos, se afogar nos meus cabelos, se entregar ao desespero dessa rotina arredia que faz da segunda-feira meu pânico, meu filtro, meu rim. Se sou vermelha ou violeta, se pisco ou busco, se olho ou ofusco é porque não distinguo mais o jasmim do capim, mesmo que o cheiro atravesse paredes e inunde meu banho. Tua visita, meu carmim. Tua paisagem, meu fim. Teu toque, meu plano. Teu abraço, meu desejo insano. Tua primeira, minha segunda-feira.

    by Tina Teresa

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