Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

cabelos

  • [No banho]

    [No banho]

    Mais um dia escorre em nós, por nós, fazendo nós nos meus cabelos cor-de-mel. Nem respiro porque seu sorriso fica torto, refratado, molhado, absorto. E cada nó que eu desfaço respinga nos teus lábios e chicoteia teu fôlego. E te afoga. Te afaga. Te faz rir de mim. Quem sou eu senão versões e mais versões do muito que carrego dentro de mim? Vem se perder em meus braços, se emaranhar nos cadarços dos meus passos, se afogar nos meus cabelos, se entregar ao desespero dessa rotina arredia que faz da segunda-feira meu pânico, meu filtro, meu rim. Se sou vermelha ou violeta, se pisco ou busco, se olho ou ofusco é porque não distinguo mais o jasmim do capim, mesmo que o cheiro atravesse paredes e inunde meu banho. Tua visita, meu carmim. Tua paisagem, meu fim. Teu toque, meu plano. Teu abraço, meu desejo insano. Tua primeira, minha segunda-feira.

    by Tina Teresa

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  • [Preguiça]

    [Preguiça]

    Gosto de você, mas

    O que posso fazer?

    Suas escolhas o definem

    E reprimem

    Seu desejo de ter-me

    E parece um crime ver-me

    Poderia ser bom

    E divertido

    Estaria você perdido?

    Ou iludido?

    Ou apenas decidido a não pular?

    Será que o tempo vai trazer

    Seu beijo pro meu colo?

    Ou sua vida pro meu mundo

    Profundo

    Sutilmente

    Lentamente

    Num salto latente

    Segunda-feira, de repente

    Sem sono nem medo

    Com seu gosto morno

    Pedindo aconchego

    E sorrindo

    Curtindo

    O que seus olhos nublados

    Prometeram um dia

    Sem pensar?

    Acho que você até sonhou magia

    Mas a deixou de lado

    Dominada

    Por uma preguiça arredia

    Pura melancolia

    Que me fere

    Sem ao menos contar-me

    Ou sequer lembrar-me

    Que você também queria

    Brincar de fazer poesia

    Com meus cabelos de jasmim 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Sobre nós]

    [Sobre nós]

    Levo horas
    desatando os nós
    dos meus cabelos,
    diariamente. 

    Lavo horas.Tantos nós.
    Nós diários. Nós na mente.
    Pensamentos, pensa mente.
    Enozadamente. 

    Enozada mente. 
    Segunda-feira latente.

    Nós que travam dedos.
    Entre nós. 

    Se tenho segredos,
    os guardo entre nós.
    Porque se dali os solto,
    é pela minha pele
    que eles deslizam. 

    Entre cachos.
    Sobre nós.
    Sobre a chuva morna
    que bagunça
    esses fios cor de mel.
    Chuva sem céu. 

    Ah, esses nós!
    Que lavam mágoas
    e levam histórias árduas
    por entre águas
    que escorrem entre nós. 

    Banhe-se comigo
    e sinta os dentes do pente
    desatando os nós
    dos meus cabelos
    que bailam feito serpentes
    sem destino.
    Breve desatino. 

    Quantos nós
    unem essa dança? 

    Seriam feiticeiras
    minhas madeixas? 

    Quais dentes as soltam?
    Meu pente?
    Ou sua boca caliente
    mordiscando segredos
    debaixo do chuveiro? 


    by @DiaboliqViolet

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