Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

caminho

  • [Caminho]

    [Caminho]

    Cada vez
    que cruzo seu caminho
    Faço
    assim, bem de mansinho
    Pra ver se
    você me nota 
    Segunda-feira torta
    Pra ver
    se você me entende 
    Enquanto
    a segunda-feira ascende 
    E
    enquanto o sol se esconde 
    Eu me
    perco não sei por onde 
    Eu te
    vejo no horizonte 
    Eu te
    chamo, mas você não me responde 

    Segunda-feira eu clamo
    Apareça ou
    nunca mais me inflame 
    Nunca
    mais fique assim distante 
    Segunda-feira eu digo 
    Com todas
    as letras
    Com todos
    os hinos 
    Segunda-feira no seu caminho
    De
    mansinho… eu te amo

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Photo by @connorsurdiphoto.  

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  • [Das coisas mortas pelo caminho…]

    [Das coisas mortas pelo caminho…]

    Da borboleta tenho dó:
    o desfrute das asas coloridas
    chega de repente, resplandecente. 

    Vê-la caída no chão reflete
    a fatia de tempo cortada
    pelo rasante final. 

    Da ratazana, que dizer?
    Pelos amassados, olhos esbugalhados.
    Fim trágico de uma corrida mal sucedida. 

    Da barata passo perto por mero descuido.
    O que realmente quero
    é que seu último suspiro fique longe
    ou sou capaz de plantar bananeira no muro. 

    Das formigas que pisoteio,
    melhor deixar de escanteio o pensamento
    antes que venha um morcego. 

    Do passarinho, exclamo: “Oh!”
    e fico imaginando
    se foi acidente de percurso ou atropelo. 

    Da aranha, que drama. 

    A cidade invade e muita coisa nela mais não cabe. 
    A segunda-feira chama e tudo se reparte.

    Be part. Not apart.


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