Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

carnaval

  • [Encanto]

    [Encanto]

    Não me cronometre
    Ou o tempo vai amaldiçoar o amor
    Toda palavra compromete
    Toda carência se repete
    Toda segunda-feira deve
    Amenizar a dor

    Toda tolerância arde
    Até que o grito abafe
    E a angústia afague
    O ataque do arpoador 

    Todo controle fere
    O ciúme fede
    O espinho está no caule
    Não há culpa no botão da flor 

    E o Carnaval
    Que já acabou faz tempo
    Esquece que tem um rival
    Chamado ressentimento 

    Por isso essa máscara  
    Na tua cara
    Me desforra
    Em dissabor 

    Teu cronômetro me tolda
    Enquanto o mundo dá uma volta
    O tempo parece que para
    Meu coração dispara
    Em prantos
    Para meu espanto
    E aí a segunda-feira
    Por besteira
    Perde o todo o seu encanto

    Poem by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: photo by Thalita Schuh.   

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  • [Fantasia]

    [Fantasia]

    Acabou o carnaval
    Mas teu disfarce ainda rima
    Et cétera e tal
    Tudo bem, eu vou por cima
    Apoteose surreal

    Hirtos lábios
    Momentos nulos
    Fantasia especial
    Apetrechos fulos
    Gula, fogo, folguedo sábio

    Vicissitude simulada
    Ninfas enlaçadas
    Calafrio de vozes sombrias
    Salivas arredias
    Guelras frias

    Guerras minhas
    Segunda-feira colossal
    Curvatura tua
    Destroços sem igual
    Meus ossos chiam

    Então dance
    Deixe que o corpo balance
    Acabou o carnaval
    Be panic, acabou o romance
    Marchinha infernal

    Então, vem, me contamina
    Darei-te tudo, não me cobres
    Acabou o carnaval
    Mas teu disfarce ainda me consome
    Não precisa fechar a cortina

    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Basée en République Tchèque, la photographe Bara Prasilova possède un univers féminin, pastel et empli de doux rêves. C’est avec une bonne dose de surréalisme et d’inspiration qu’elle met en scène des femmes pourvues de longues tresses dans des situations renversantes. Elle alterne entre ce genre de mise en scène loufoques et des images poétiques en pleine nature.

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  • [Amarelinha]

    [Amarelinha]

    Depois você me diz
    se é mesmo verdade
    essa sua mania
    de pular amarelinha
    em toda calçada quadrada
    encontrada no seu caminho,
    seja na segunda-feira ou
    no meio da madrugada.

    Se fosse você,
    eu desenhava com giz
    e tornava real
    essa brincadeira banal. 

    Eu pintava o céu e o inferno
    com fagulhas de cristal
    e esperava brilhar
    tua poesia no meu carnaval. 


    by Tina Teresa

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