Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

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  • [Kali]

    [Kali]

    Quem diria
    Que um dia
    Você criaria asas 

    Você que sempre gostou
    De rolar no chão
    Ou voar sobre os meus pés
    Brincando de avião 

    Você que chegou
    De mansinho
    Feito um carinho
    Nas nossas almas
    Com passos finos
    Tão lindos 

    Você e sua pancinha redonda
    Tão fofa
    E seu pelinho curtinho
    Tão sedoso
    Seu miado fininho
    Tão zeloso
    Seu focinho meigo
    Tão charmoso
    Seu rom-rom macio
    Tão gostoso
    Seu temperamento
    Tão seu
    E sua própria segunda-feira
    Tão sua 

    Você ganhou a lua
    E nos trouxe a paz
    Você fez sua rua
    E voou nua
    Envolta em nossas lágrimas
    E em nosso toque fugaz 

    E você deixou com a gente
    Um amor imenso
    Tão denso
    Escrito por extenso
    Em nossos corações suspensos

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Foto da Kali by Tina Teresa.  

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  • [A mente mente]

    [A mente mente]

    Se a mente mente…
    Por que te sinto quente
    quando te vejo na minha frente?

    Se a alma sente…
    Por que às vezes parece
    que um beijo confunde a gente?

    Se esse teu sorriso ora inocente
    ora ao mesmo tempo displicente
    preenche minha segunda-feira ausente…

    justamente de repente
    quando o sol se esconde no poente
    e meu pensamento me distrai precipitadamente…

    Eu me apaixono cabalmente
    pela magia independente
    que irradia intensamente
    do teu abraço em pedaços
    e me escolhe metaforicamente

    – 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: painting by Soey Milk

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  • [Intervalo]

    [Intervalo]

    Cada vez você fica mais perto do que não digo
    The day I left behind was the day I lost in time
    No (con)fuso horário onde tudo é claro
    What’s yours? What’s mine?
    Não faz sentido, contudo eu calo
    E peço abrigo por onde passo
    Perdi um dia no fuso horário
    Segunda-feira virou relicário
    Você está perto do meu perigo
    Do meu silêncio, do meu castigo
    Do intervalo do meu dia perdido

    Tudo bem, querido…
    A despeito do meu cortejo
    Reflito de leve seu bocejo
    E lacrimejo meu soluço no seu umbigo
    Quem mora ao lado é o mendigo
    O que eu não falo é o que te mantém comigo
    O que eu sinto é o que te faz tão lindo
    Por tudo o que eu quero é que não brigo
    Tão distante, tão carente, tão latente
    Segunda-feira de bobeira eternamente
    Intervalo tão raro que persigo

    O que sustenta de repente
    Este dia tão quente que perdi na mente
    [Por permitir pairar feito um voo de parapente
    Todas as palavras que ficaram dormentes]
    É o que eu não digo e guardo discretamente
    No meu sorriso aflito
    No meu olhar decidido
    No meu abraço inerente
    No meu coração insistente
    Na segunda-feira impaciente
    No intervalo que inseri entre a gente

    O dia que perdi no tempo
    Deixou meu cabelo esquisito
    O tempero que ganhei ao relento
    Foi regalo ou foi evento?
    Foi angústia que ainda lembro
    Do dia que tornou-se antigo
    Da promessa que não necessito
    Da segunda-feira que esperei afinco
    Do que você acha que eu não consigo
    De tudo o que escrevo e não digo
    Do intervalo que perdi contigo

    Praticamente não distinguo
    Não percebo, não atinjo
    Não escolho, apenas colho
    Tuas palavras que repousam no meu sonho
    Palavras presas me chamam de princesa
    E se desprendem da alegria e da tristeza
    E encontram uma segunda-feira travessa
    Palavras disfarçadas de Fio Vermelho do Destino
    Palavras destinadas a tocar vidas ao vento
    Cada vez você fica mais perto do que não digo
    Do intervalo do beijo que paralisei no tempo


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **
    Art: cat yarn bowl by Felicia Nilson

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  • [Poesia quebrada]

    [Poesia quebrada]

    A Poesia caiu da janela
    Poesia quebrada
    Uma vida inteira machucada
    Coração apertado
    Tão apertado que até para
    Foi um anjo que chorou por ela?
    Quando me debrucei e chorei na janela,
    Não imaginei que a poesia pudesse escorregar
    Nas minhas lágrimas de desespero
    Ah, como eu queria que a calçada
    Fosse feita de algodão
    Um anjo chorou na janela
    E todas as penas de suas asas caíram na calçada
    E a Poesia caiu da sacada
    Despedaçada
    Tão frágil
    Tão amada
    Tão bela
    Tão mansa
    Por que agora ela não dança?
    Por que seus olhos de criança bailam no ar?
    Porque a Poesia, na lembrança, pensou que podia voar
    Mas escorregou na janela e tentou flutuar
    Sim, eu fico muda
    Poesia esparramada em queda livre
    Sonhou ter as asas do anjo caído
    Que chorou na janela, distraído
    Fé em prantos
    Planta que perde encanto
    Nada do que a gente manda faz sentido
    Passa direto pelos ouvidos
    Quem diria
    Lágrima escorregada
    Tanta vida num único dia
    Tantos planos pra um voo plano
    Intervalo de uma dança surda
    Uma pernada curta
    Murcha
    Hoje é domingo, vem comigo
    Na segunda tudo muda


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Desempate-me]

    [Desempate-me]

    Aparte-me

    Aperte-me

    Reparta-me 
    Segunda-feira à tarde
    antes que seja tarde,
    covarde

     –

    by Tina Teresa

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