Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

caveiras de pérolas

  • [Corrosiva]

    [Corrosiva]

    Quem diria
    Que teu blefe seria
    O que te definiria
    Enquanto minha seiva daninha
    Te definharia 

    Quem diria
    Que a segunda-feira viria
    Incandescente e lascívia
    Corroendo o dia
    Doentia 

    Tem um veneno quente
    Circulando no meu ventre
    Vertendo dos meus dentes
    Te trazendo pra mim
    Inconsequente 

    Só não me traga ironia
    A segunda-feira já urgia
    Minha boca já ardia
    Por tudo que teu beijo
    Nunca me dizia 

    Não me diga covardia
    Sem tentar uma simpatia
    Ou ver se alguma estrela-guia
    Muda o curso do teu dia
    Pra minha rebeldia 

    Segunda-feira, quem diria
    Tudo o que eu queria
    Era escrever em letra cursiva
    Um poema diferente
    Pra te cativar à luz do dia 

    Dentro de mim algo jazia
    Feito veneno de serpente
    Dentro de mim eu te queria
    Antes que meu fogo latente
    Te derretesse numa orgia 

    Então teu beijo, quem diria
    Me inundou completamente
    Num sussurro eloquente
    E afogou amargamente
    Minha seiva corrosiva


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Shinji Nakaba é um designer de joias que trabalha no campo desde 1974 e uma de suas mais recentes invenções são as caveiras de pérolas – afinal, sua marca registrada são as criações extremamente diferentes. As pérolas de formatos diferentes conferem à cada caveira um jeito ~especial. E, em cada uma delas, Nakaba escreve a palavra “vanitas”, latim para vaidade – é uma referência à arte funerária do século 17, que colocava ênfase na efemeridade e na falta de propósito de nossas vidas terrenas.

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