Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

Christopher Guzman

  • [Vento]

    [Vento]

    Talvez o vento exista
    Pra dizer no teu ouvido
    Uma prece, uma cantiga
    E fazer no teu umbigo
    Uma parada extendida

    E então provar tua mordida,
    Anunciar a próxima rima
    E desenhar teu destino. 

    Talvez o vento exista
    Pra trazer a segunda-feira
    De mansinho, pelos cabelos
    Disfarçada de carinho
    Doce-de-leite no pão de centeio

    E então te alimentar,
    Adoçar teus pedidos
    E avisar o mundo…

    Que você já chegou
    Com os olhos sorrindo
    Tão confuso, tão menino
    Tão gigante, tão perdido
    Você chegou tão lindo

    E então me pediu que eu te levasse
    Daquele lugar tão tenso
    Seria você o vento?

    Ou um barquinho de papel?
    Esperando um impulso novo
    Um abraço apertado
    Uma segunda-feira alheia
    Uma brincadeira

    Pra então você navegar
    Sair zarpando desse cercado
    Dessa cidade invisível 
    De concreto armado
    E recitar no meu ouvido
    Uma prece, uma cantiga
    Uma promessa tão linda
    Que te desdobre no tempo
    Te transforme no meu vento
    Pra então você me levar
    E me bastar
    Me ganhar
    E me flutuar


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Série de ilustrações chamada de Trazo do artista mexicano com base no Rio de Janeiro Christopher Guzman Hernandez que, inspirado pelas belezas da cidade maravilhosa, resolveu dar um toque pessoal à paisagens clássicas do Rio de Janeiro desenhando cenas surreais sobre algumas fotografias.

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