Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

chuva

  • [Contentamento descontente]

    [Contentamento descontente]

    Contentamento descontente

    Cheiro de lua, cama nua

    Segunda-feira, pasta de dente 
    Serpente no canto da rua 

    Cabe mais um?

    Tempo quente, sorridente
    Talvez um gole de rum

    Aguardente, momento eloquente

    Filme, almofada, vigília estrelada
    Chove chuva transparente
    Tv, sofá, perna atravessada
    Incerteza dentro da gente 

    Doce tempero, café da manhã

    Calor decadente, frio caliente
    Da umidade, uma gota de maçã

    Enxergo sem ver o que paira na frente 

    Fatia no prato, vento no asfalto
    Velocidade apática, caminho lentamente
    Mais um pedaço de doce e fico no anonimato 
    Aqueça-me friamente 

    Só mais um beijo, um pão de queijo 
    Enquanto a textura esfola intimamente 
    Se temperatura fosse desejo 
    Amaríamos eternamente 

     –

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    Continue: [Contentamento descontente]
  • [Banho de Chuva]

    [Banho de Chuva]

    Quase nem te reconheci
    Debaixo daquele guardachuva
    Quase
    Quase esqueci
    De todas as chuvas que brincamos juntos
    Quase
    I’m a mess I confess
    I’m a little bit stressed
    Chove uma música arredia
    Nessa rua vazia
    Passos insanos me perseguem
    E a cortina d’água silencia meu drama
    Enquanto na poça derrama a chama
    E tua voz me chama
    E inflama
    A angústia de uma tarde que clama

    Na chuva tua voz reclama
    Na chuva meus cabelos escondem
    Quase toda a trama
    Da Segunda-feira tardia

    Era tarde e era dia
    Tinha chuva e eu ardia
    Era quente a calçada
    Mas a água era fria
    Era quase e você não vinha
    Marquise na esquina não tinha
    Banho de chuva quase nua
    Nua de alma
    Na rua calma
    Sob o som da quase palma
    Da voz que abafa
    Era chuva ou era aplauso?
    Era música ou descaso?
    Era quase ou era um passo?
    Era você ou só o acaso?


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **

    Photo by Tina Teresa

    Continue: [Banho de Chuva]
  • [The second fairy]

    [The second fairy]

    Foi algo que eu disse?
    Foi algo que eu fiz?
    Foi algo assim… idiotice?
    Foi tarde o final feliz…

    Foi forte, foi fogo, foi sim
    Foi fadiga
    Foi falta de sorriso?
    Foi ferrugem, festim
    Foram mares desmedidos
    Fenda sem fim

    Fui à feira na Segunda
    Segundo a segundo
    Prefiro o fundo
    Se fui teu mundo
    Feri a chuva
    Faquir de foices
    It was your choice
    And it wasn’t fair

    Faça de novo
    The second fairy
    The second chance
    The second flame
    It wasn’t only my fault
    So please, don’t blame me
    Segunda-feira perfeita
    Falei de novo
    Falhei de novo
    Não foi por desfeita
    Mas eu reprovo
    O amor faliu

    Foi algo que eu disse?
    The second fairy
    Fada Berenice
    Fadada a se fazer de Alice
    Don’t get scary
    Don’t fly away
    Você me deve um desejo
    Não me deixe à desdém

    Foi uma fábula?
    Fada safada
    Furtou meu sonho
    Segunda-feira nublada

    Foi tarde, uma falácia
    Ficou saudade
    Virou filme inacabado
    Fiquei firme sem recado
    Foi algo que eu fiz?
    Faísca, cicatriz, audácia

    Foi falta de afeto, second fairy
    Foi feltro, foi renda, foi quase perto
    Foi algo assim… Sol, Lá, Si, Dó
    Foi algo mais… Dó, Ré, Mi, Fá

    Não volte, não, my dear fairy
    Foi algo que eu disse e foi em vão
    Foi farta que fiquei, unnecessary
    Foi algo que eu fiz, algodão

    The second chance
    The second fairy
    Don’t be on defense
    O que vai, volta
    O que foi que eu fiz?
    Filosofei frases de aprendiz
    Furei a fotografia
    Fugi do feitiço de giz
    Flutuei na Segunda-feira
    Furtei seu final feliz


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    Continue: [The second fairy]
  • [Chuva Prata]

    [Chuva Prata]

    Não tinha motivo para não ir,
    mas rolava um receio,
    um aperto no estômago,
    não tinha explicação. 

    Desculpas pra ficar surgiam a todo instante.
    A chuva poderia ser a culpada.
    A pontinha de dor de cabeça, também.
    Assim como o trânsito, a preguiça,
    o desconforto no pescoço,
    a vontade de ficar debaixo das cobertas
    assistindo seriado atrasado… 

    Mas de repente
    a gente tinha hora marcada.
    E daí era pra valer.
    E o vidro do carro embaçado,
    o café adocicado,
    as voltas na quadra procurando vaga,
    a fruta trocada,
    o fone sem estéreo
    e o adaptador da tomada
    eram motivos de sorrisos. 

    A chuva nem atrapalhava.
    Eu fazia que nada era nada,
    que não tava nem aí,
    que pouco me importava.
    Mas a verdade me esmagava.
    A segunda-feira vai chegar atrasada.
    Eu não precisei falar nada,
    porque você já sabia de tudo. 

    Fosse preto ou fosse prata,
    não rolava mais medo de dar mancada.
    Mentira, rolava sim.
    Fosse mesmo você mesmo.
    Venha o que vier, seja o que for,
    se falei demais, se o que li foi muito,
    se duvidei um pouco,
    se entreguei o jogo… Foi. 

    E que seja o que tiver de ser.
    E que seja o que a gente quiser,
    haja o que houver, chova o que chover. 

    Porque existe um sol dentro da gente
    que brilha docemente,
    intensamente.
    Um sol eloquente.
    Que me faz ver estrelas
    no céu da tua boca.
    E que traz o aroma do mar
    para os seus olhos
    enquanto a chuva prata
    desenha arco-íris
    nos meus cabelos dourados. 

    E daí se estava nublado?
    Apenas sinta, não minta.
    O tempo tem a cor que a gente pinta
    quando estamos com os olhos fechados.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **

    Continue: [Chuva Prata]
  • [Colo]

    [Colo]

    Não é só a chuva que cai do céu
    Cai formiga, cai mel
    Cai gelo que fere e queima a pele
    Cai canivete
    Cai balão na minha mão
    Cai folia, cai folha seca
    Qual a previsão?
    Se o céu no outono balança
    Quem concede a dança
    Rapunzel, jogue-me suas tranças!
    Cai confete e serpentina
    Cai o coração da menina
    No meio da escuridão
    Será que a chuva mansa
    Que ensopa a segunda-feira
    Faz o sonho vira lambança?
    E no meu colo
    To chegando, não demoro
    No precipício a mercê
    No meu colo cai você


    by Tina Teresa

    Continue: [Colo]
  • [Grama]

    [Grama]

    Por quê eu gosto tanto do cheiro da grama recém cortada?

    Porquê me traz memórias da infância
    quando a nonna ajeitava o jardim de casa
    com todo o carinho do mundo?

    Ou seria porquê uma aranha
    me mordeu no joelho
    enquanto eu brincava de camuflagem
    na lateral da garagem?
    Ou porquê minha gata sapeca
    se faz de esperta
    e mordisca a folhagem,
    salta e corre, faz caras e bocas
    e fica de molecagem
    na grama crescida escondida?

    De repente talvez porquê
    os intervalos da aula, no primário,
    eram regados a piqueniques
    entre flores e cores,
    entre livros e dores?
    Entre medos e desejos
    e cheiros e temperos
    a grama permeia minha existência.
    Teve aquela vez que corri na lama
    e abri os braços aos céus,
    recebendo a chuva no rosto
    e sorrindo, torcendo o pescoço,
    fazendo no chão um esboço
    de um futuro gostoso.

    E teve aquele outro momento
    que corri feito louca,
    quase em choque,
    entrei na cozinha e me deparei
    com um prato de quentinho nhoque,
    cheiroso, saboroso…

    Lembro, ainda, de passear no colo da outra nonna,
    aquela que eu chamava de “two”,
    não só por ser bisa,
    mas por me mostrar os brotos de xuxu
    que ela plantava dentro das lâmpadas
    e que cresciam tímidos mas fortes
    como uma densa brisa.

    Hoje cedo caminhando,
    me deparei com um gramado sendo reciclado.
    E o aroma tomou conta
    e minha alma abriu um sorriso largo.
    Então as memórias iniciaram sua trajetória,
    e cada paisagem me levava
    a uma diferente viagem.

    Que sempre exista grama,
    que sempre chovam sonhos,
    que cada segunda-feira venha
    repleta de novas sutilezas,
    que cada lua guie novos passos,
    que cada dia ensolarado
    floresça conquistas e amizades,
    liberdades e coragens.
    Que nossa bagagem permaneça.
    Que venham outros jardins,
    outros cheiros,
    outras raízes, outros amores.
    Que amanheça a presença
    de uma música alta
    e que nunca grama nenhuma faça falta.

     –
    by Tina Teresa

    Continue: [Grama]
  • [Restos]

    [Restos]

    Restos de domingo assombram a segunda-feira
    Dia sem fim, noite sem beira
    Prefiro um pedaço de caqui

    Choveu e eu nem vi
    A luz dos postes brilha na rua molhada
    Mas o piso da sacada continua quente
    Silêncios que só eu ouvi

    Nos pés descalços gruda o cheiro gorduroso
    Que vem pelo ar sem avisar
    Algum vizinho fez festa, será?
    Orvalho misturado com pedaços de almoço

    Criei minha própria tempestade
    Numa taça de cristal tão frágil, tão limpa
    Trincada por raios e trovões, sobrevivi

    Nem me dei conta que meus pés não estavam no chão
    Boiei em bolhas de champagne
    E esperei o arco-íris surgir


    by Tina Teresa

    Continue: [Restos]
  • [Violeta]

    [Violeta]

    Enquanto chove, floresço.
    Enquanto enquadro, anoiteço.
    Enquanto trago, violeta.
    Enquanto você não chega, percebo
    segunda-feira ainda é cedo  
    e cada paisagem que invento, borboleta.

    Continue: [Violeta]
  • [Miss. Sunshine in the rain…]

    [Miss. Sunshine in the rain…]

    – Posso mesmo ir com vocês? Cabe mais um?

    – Claro que cabe, prima, é uma kombi!
    (Hmmm… to me sentindo a Miss. Sunshine…)

    – A porta tem todo um esquema para abrir e fechar…

    – Tá ali, aquela branca, ali…

    – É a única kombi da rua, podia ser pink, amarela…
    (Miss. Sunshine…)

    – Deixa que eu cuido da porta. Entrem.

    – Quem ficou com o vô?

    – Onde?

    – Vô?

    – Poxa, ninguém ficou com o vô.

    – Eu estou bem, eu estou bem.

    – Como ninguém ficou com o vô? Eu to aqui no meio da rua com os braços abertos para nenhum carro passar por cima dele!

    – Que chuva, logo agora!

    – Choveu quando eu vim também, tive que vir saltando de marquise em marquise, mas mesmo assim me molhei bastante.

    – Se fosse segunda-feira, seria uma crise.
    – Você veio a pé?

    – Claro, é tão pertinho, imagina… mas pra voltar carregando essa máquina… esse negócio tá ficando pesado…

    – Mas você se molhou, viu?

    – Vai ficar gripada.

    – Não se preocupe.

    – Vou prender o cabelo.

    – Seu cabelo tá molhado da chuva?

    – Sim.

    – Se eu soubesse que você viria de carona conosco, prima, teria deixado a máquina no carro ao invés de carregá-la no aniversário.

    – Pois é, e o que você vai fazer com essa máquina de escrever?

    – Decorar a minha casa; eu sou apaixonada por máquina de escrever.

    – A mãe vai na frente com o pai. As crianças já entraram?

    – Também tenho uma máquina de costura antiga que era da outra tia, irmã da nona.

    – Eu já entrei.

    – Eu também.

    – Você já tinha visto a máquina lá em casa, da outra vez?

    – Sua vez, vó.

    – Já tinha inclusive feito uma foto dela.

    – O vô já conseguiu atravessar a rua?

    – Entre você agora, prima, que eu levo a máquina no colo.

    – Peraí, vó, deixa eu arrumar a colcha aqui no banco pra você sentar.

    – Eu deixei aí pra forrar.

    – Eu aprendi a datilografar em máquina de escrever, antes do computador.

    – Por isso que você quis ser jornalista?

    – É. Não. Sei lá…

    – Cada louco com sua mania.

    – Será que ainda funciona? Quero contar essa historia nela…

    – Como você vai carregá-la no avião?
    (Miss. Sunshine in…)

    – Tá todo mundo aí dentro?

    – Ah, eu dou um jeito.

    – Prima, segura esses docinhos pra eu poder fechar a porta.

    – Tava ótimo o aniversário, não tava?

    – Pera, deixa eu acomodar a máquina no meu colo.

    – Puxa a colcha…

    – Tava sim, nossa, adorei rever toda a família e conhecer os que eu ainda não conhecia.

    – Agora devolve os meus docinhos.

    – Pena que sua tia não foi.

    – Você não pegou nenhum cupcake de lembrança?

    – Com a bolsa numa mão e a máquina na outra, não tinha como.

    – Você vai escrever com ela?

    – Eu vou tentar.

    – Acho que você vai ter que trocar a fita…

    – Na segunda-feira, quando eu voltar, vou procurar onde comprar uma nova, vô. Mas obrigada, ela era sua, né? Adorei…

    – Presente de Natal.

    – Você vai lá pra casa?

    – Não, eu fico aqui na casa do meu primo. É nessa mesma rua, só que mais pra trás.

    – Tenho que dar a volta na quadra, então?

    – Isso mesmo, tio, eu contei umas quatro quadras quando eu vim, a pé. Mas tava chovendo, melhor entrar mais pra frente.

    – Você está atravessando o sinal vermelho, marido!

    – Numa ladeira como esta, se eu parar a kombi, a gente desaba.

    – Esse bairro é cheio de morros…

    – Bem que meu amigo falou que quem mora aqui tem a barriga da perna durinha…

    – Tá tão abafado aqui dentro…

    – Esse verão vai ser forte…

    – Os vidros estão todos embaçados, mano.

    – Da outra vez que eu vim, quando fiquei na casa da sua madrinha, o aniversariante estava dentro da barriga ainda…

    – Nossa, já faz quatro anos!

    – Só mais uma quadra e penso que já podemos virar.

    – Eu só contei três até agora.

    – Abre um pouco mais essa sua janela, mãe.

    – Então vou dobrar na próxima esquina.

    – Titio, você pegou quantos docinhos?

    – É à direita, né?

    – Peguei vários docinhos, pra nossa sobremesa de amanhã.

    – Isso, á direita, mas eu não me lembro do prédio do meu primo ser numa subida, acho que é numa descida.

    – Penso que ou entramos uma rua antes da quadra dele ou uma rua depois.

    – Vamos mais pra frente.

    – Qual o número daquele prédio ali?

    – Hein?

    – Por que você está rindo?

    – Aquele prédio ali?

    – Alguém consegue enxergar o número? Sou míope e estou sem óculos…

    – Ele está rindo do seu sotaque do sul.

    – 1400.

    – Ix, passamos, temos que voltar mais uma quadra pra trás.

    – Contornar a quadra novamente?

    – Meu sotaque?

    – Isso, e dobrar à direita mais adiante.

    – Nessa?

    – Não. Quer dizer, sim. Nessa agora e seguimos em frente e então dobramos de novo.

    – Agora?

    – É isso aí, filhão, olha só quantos docinhos!

    – Sim, pode dobrar.

    – Tem certeza?

    – Quem mora ali?
    (Definitivamente Miss. Sunshine…)

    – Não quer ir lá pra casa mesmo?

    – Obrigada, foi muito bom estar com todos vocês.

    – Encosto onde?

    – Ali, ali, marido.

    – É garagem, mas pode encostar ali, pra não ficar no meio da rua.

    – Meu primo mora aqui.

    – Vai ficar no meio da rua mesmo.

    – Ok, eu desço rapidinho.

    – Mas eu também sou seu primo? Ou não sou?

    – Claro que você é primo dela, pois se você é meu irmão, tem que ser primo dela também.

    – Dê um abraço na sua mãe quando você voltar e encontrar com ela.

    – Eu darei.

    – Fico feliz que conseguimos nos ver, vamos tentar combinar algo amanhã?

    – Aqui mora outro primo meu.

    – Toma, leva esse cupcake pra você.

    – Darei o abraço nela, lógico, vamos tentar combinar amanhã, sim.

    – Você vai na Bienal de Artes?

    – Que bacana conhecer seus pais, seu irmão, o filhinho dele é um fofo! E sua filha, prima, cada vez mais linda!

    – Ela vai.

    – Tchau, vô, vó…

    – Leva o cupcake…

    – Não precisa, pode ficar.

    – Pô, prima, eu to te dando!

    – Volte sempre, querida, fique lá em casa da próxima vez.

    – Ok, obrigada, vou comer no café da manhã.

    – Cuidado com essa porta, se não segurar ela vai bateeeeeer… olha o braço, mãe.

    – Desculpa, eu não consegui segurar.

    – Eu to bem.

    – Nossa, eu vi a porta esmagando o braço da mãe, agora.

    – Meu, que susto.

    – Tchau, crianças.

    – Tchau, prima, pegou o cachecol?

    – Você trouxe o cachecol que ela esqueceu lá em casa da outra vez?

    – Eu trouxe.

    – Calma aí que me engatei na barra da colcha.

    – Não tá vindo nenhum carro?

    – Aprendi a fazer crochê com a nonna, ainda criança, mas nunca fiz uma colcha deste tamanho…

    – Seu primo está em casa?

    – Eu estou com a chave da porta dos fundos.

    – Tchau tia, obrigada, tio.

    – Tchau, tchau.

    – Cuide-se, deixa que eu fecho a porta.

    – O carro que espere, agora.

    – E ainda chove.

    (Miss. Sunshine in the rain… Happy wet feet…)

    _

    by Tina Teresa

    Continue: [Miss. Sunshine in the rain…]
  • [Pressuposto]

    [Pressuposto]

    Prove que teu gosto

    é mais forte que essa chuva

    que me prende, aguda

    num breve tempo deposto 

    Quisera fosse Agosto

    e que a prova fosse flor

    ou fogo de prova, tentador

    que prova que nada, pressuposto 

     Alguém nos acuda! 

    Garganta entrava,
    segunda-feira abafa 
    Até a ladeira afaga o rancor.

    – by @DiaboliqViolet

    Continue: [Pressuposto]
  • [Tédio]

    [Tédio]

    Tédio? Como assim?
    Pisco de leve enquanto o pisco
    desce garganta abaixo.
    Não leve nada não.
    Nem economize sola de sapato.
    Passos leves pouco importam.
    O tédio espera do outro lado da porta,
    mas ela não se abre.
    Nem convida a entrar nem nada.
    Nado eu, nesse gole de madrugada.
    Nessa segunda-feira abafada.
    Pisco Sauer. Saio leve. Saia voa.
    Não me leve na garoa.
    Pisco um sorriso. Pesco à toa.
    Te levo até a proa.
    Porque o tédio não tem lugar
    nessa dança boba.
    Descubra-se. Questione-me.
    Que porta é essa que não se abre?
    Abra seu coração.
    Não abra a guarda, mas guarde a chave.
    Disfarce.
    Não há tédio que desagrade tamanha desilusão.
    Adrenalina na contramão.
    Cadê a chave do seu coração?
    Vem pular na chuva, não solte a minha mão.
    Fique com a chave você.
    E lembre-se que tudo pode acontecer.
    Ou não.
    Não há tédio que vença tanta alteração.
    Não sou eu quem clama atenção,
    é a vida que me puxa e me joga,
    que me torce e desafia,
    que me pira, me gira, me irradia
    de noite e de dia.
    Tédio, pisca pra mim.
    De longe te aceno, venha sereno,
    que o orvalho me entorpece. 
    Segunda-feira mais ou menos.

    by @DiaboliqViolet

    Continue: [Tédio]