Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

desejos

  • [Lua crescente]

    [Lua crescente]

    Desafios, dias,
    noites frias, arrepios

    Cores se confundem,
    maquiagem escorre pela pia…

    Expectativas explodem em desejos

    Lua crescente

    Sorriso recente

    Segunda-feira quente
    Planos, sonhos, ciclos

    Momento

    Monumento

    Amor? Tormento

    Tempo corrente

    Água corrente

    Desprenda-me, corrente

    Lua crescente

    O bolo de ontem, comi hoje

    Para festejar
    o aniversário de amanhã

    Que nunca chega

    Que nunca acaba

    Pra sempre latente

    Lua crescente

    Lua de Abril

    Estado febril

    Grama cortada

    Roupa amassada

    Cheiro de fogo

    Eu sei, foi um jogo

    Mesa empoeirada

    Canela dormente

    Lua crescente

    Segunda-feira em frente

     –
    by Tina Teresa

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  • [Ano novo]

    [Ano novo]

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    Quero cabelo sedoso,
    um corpitcho novo,
    a pele mais macia,
    rugas de telepatia
    e um cochilo ao meio-dia.

    Quero aconchego
    embrulhado pra presente, 
    daqueles que pra abrir,
    é preciso usar os dentes. 

    Quero um bocado
    de calda de caramelo,
    daquelas que formam fios
    e lambuzam as mãos,
    o rosto, a boca, o prato,
    o bolo, que rolo! 

    Quando acaba um ano,
    o que será a sobremesa
    dessa ceia toda,
    ora saboreada com gosto e pressa,
    ora travada na garganta
    feito uma travessa
    de pimenta
    ou um gole de soda cáustica? 

    Essas palavras ácidas
    definem quem eu sou
    ou quem você permite que eu seja? 

    Esse falso humor barato
    diz mais sobre quem quer que seja você
    do que você pensa que é. 

    Ou quer ser. 

    Ou aparenta ser. 

    Ou já foi. 

    Foi tarde. 

    E ainda boceja. 

    Esvaiu-se com o ano
    que insiste em acabar
    e acaba exercendo
    uma pressão psicológica na gente
    maior que qualquer
    mousse de chocolate de liquidificador. 

    Porque pequenos segredos
    ou pequenas desventuras
    não tornam ninguém mais forte. 

    Tampouco grandes projetos emprestados
    defendidos com voz melosa e espalhados
    com panos bêbados de desinfetante. 

    Mentiras cotidianas não se calam,
    ofensas veladas escondem-se
    em frestas de ventilação,
    farpas geladas rasgam carnes quentes
    em predicados latentes
    porque a sinceridade não tem
    cadeira pra sentar,
    apenas um leito pra deitar
    e esperar a morte chegar,
    ou o ano findar
    sem deixar sequer poeira,
    já que uma simples besteira
    falou mais alto que a respiração. 

    Coração nenhum bate de bobeira.
    Nem em plena segunda-feira.

    Não afine a voz, não.
    Essa estribeira ainda vai botar
    toda essa angústia na linha. 

    Vem fingir que tá tudo bem, vem.
    Tenha medo da chuva, não.
    Vem tomar sorvete de creme
    com cobertura de gelatina
    que escapa e treme na base,
    não pare, não tema, não há problema,
    apenas tente, coma, lute, não morra,
    chova, viva o novo de novo,
    depois da chuva,
    antes da próxima segunda.

     –
    by Tina Teresa

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