Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

dia

  • [Sobre o dia que queria ser noite]

    [Sobre o dia que queria ser noite]

    Só no mundo diluído
    quando o céu é distraído
    que eu consigo
    transformar o inferno cativo
    em pleno meio-dia
    esquecido

    Pesco afagos aturdidos
    colho asas de vagalumes perdidos
    e recito cânticos imaginários
    descubro defeitos encalhados
    e transformo tudo ao contrário

    Falo sem pensar
    pra quebrar o silêncio
    mesmo sem ninguém perguntar
    ou nem preparar o momento
    com certa prudência mental
    frente à tamanha impulsividade verbal 

    Mal a segunda-feira chegou
    meu sonho enfadonho evaporou
    enquanto o sol tropeçou
    nos teus calcanhares
    e você desmoronou
    de todos os meus andares

    Se a estrada é esburacada
    vamos construir uma escada
    que nunca se acabe
    meu amor, tudo ainda cabe
    na segunda-feira guardada
    da noite que se abre

    – 

    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Magical long exposure photographs of fireflies parading about the forests of Nagoya City by Yume Cyan.

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  • [Suspiro]

    [Suspiro]

    Duelo desconcertante
    Rosto amendoado
    Segunda-feira errante
    Olhos abafados

    Cabelos de algodão
    Atalho machucado
    Sorriso inebriante
    Sol gelado

    Melodia exclusiva
    Trovoadas e raios
    Nostalgia lasciva
    Amanheço e desmaio

    Dilema equivocado
    Berço de flores negras
    Lágrima inflama
    Desejo boceja

    A vida me chama
    Me abriga, me beija
    Me tortura, relampeja
    Duvido do teu enredo

    Mas não tenho medo
    Teu drama na minha cama
    Me consome, me reclama
    Me pede, me ama

    Me impede, me demora
    Me acorda em soluços
    Acorde lusco-fusco fora de hora
    Reflexo, refluxo, agora

    Te meço, te busco
    Te duvido, me perturbo
    Caio no sono
    Te amo no susto

    Seria monótono
    Se não fosse brusco
    Haveria dúvida
    Se não tivesse pulso

    Minha saliva, tua música
    Palavra pausada na rua
    Ainda resta a dúvida
    Saudade amarrotada

    Seria justo?
    Te quero absurdo
    Assim doce, assim puro
    Um pouco torto, um pouco surdo

    Se ainda te duvido
    É porque te amo, te juro
    Te espero, te curo
    Te quero, me embrulho

    E tudo o que eu não te digo
    Paira no abismo… (*suspiro*)
    Onde pulei contigo
    Até o fundo


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Hug by passavodiquipercaso

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