Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

dontpanic

  • [Aniversário]

    [Aniversário]

    Amigos vão e vem

    As pessoas mudam
    e todas as coisas mudam

    Envelheço por entre caprichos e desdém

    Enquanto as memórias flutuam

    Enquanto a pele esfarela

    A segunda-feira perece
    E o sorriso desfalece 

    Enquanto as plantas sorvem sangue

    E a terra fica amarela

    Outono que me tange

    Primavera que me tinge

    Mundo insano que me abrange

    Tempo ingrato que me aflige 

    Cresço e me farto

    Não te seguro nem te puxo
    de cima do muro

    Dou um passo e te largo

    No asfalto, de sobressalto, de leve

    Não me leve a mal

    É só mais um ano que chega e passa

    E muda tudo sem mexer em nada

    E troca tudo de lugar 

    Trocam os amigos,
    trocam os pedidos

    Troca a sorte,
    toca a vida

    Faço figa
    que um dia

    Enquanto mudo

    Todavia, porém, contudo

    Esse escudo se quebre

    E revele

    Um recorte

    Não que eu me importe

    Já que é breve
    a linha do norte

    Não me guie, desvie

    Delire e me pire,
    me vire, me gire

    Mais um ciclo

    Reciclo

     –
    by Tina Teresa

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  • [Prazo de validade]

    [Prazo de validade]

    Será que tudo tem prazo de validade? Se sim, será que é o grau de intensidade o que determina esse prazo? Don’t panic! A segunda-feira está quase no fim e a música que embala minha preguiça conversa comigo. Aliás, é comum músicas conversarem comigo.

    Ah, se essa e outras canções tivessem o poder de transformar comportamentos. E então daí as atitudes teriam prazos de validade. Teria valia? Quanto vale uma nota musical? Uma nota, certamente. E um adágio? Um pedágio?

    Outro dia me disseram que o sentido da vida depende da relação que estabelecemos com as pessoas. Enquanto cantamos sentimentos debaixo do chuveiro ou detrás do volante do carro, percebemos que cada relação depende da admiração que temos por essa ou por aquela pessoa.

    Talvez por isso as relações tenham prazos de validade. Será que só admiramos até onde a vista alcança? Se ‘ad mirar’ é ter próximo aos olhos, que dizer das canções que choram amores ou provocam sabores sem nada mostrar mas tudo revelar?

    As roupas que escolhi não vestir vão se amontoando do lado de fora do armário, criando um mundo à parte, solitário, que só eu vejo enquanto bocejo. Enquanto canto embalada e sinto sua presença velada disfarçada de lua cheia que invade minha sacada pedindo para ser admirada.

    Teria a luz que reflete a lua validade prorrogada já que o escuro toma conta quando fecho os olhos? Qual o futuro do infinito se o que percebo são defeitos sem efeito, sem reflexo, sem pó de pirilimpimpim? Cabe a lua no meu jardim? Ou prefere ela adormecer um sonho bonito?

    Cabe este canto no canto do seu encanto? Quanto tempo ainda tenho nesse tenso embalo intenso? Be yourself. E quem sabe eu te admire mesmo de olhos fechados. Mesmo que o prazo de validade expire. Mesmo que eu pire. E que aquele mundo à parte gire.


    by Tina Teresa

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