Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

dor

  • [Ventre]

    [Ventre]

    Sabe o
    que acontece
    quando o coração de outra pessoa
    bate dentro da gente?

    A gente sente
    A gente sabe 
    A gente conhece 
    A gente entende 

    A frequência muda quando o outro respira
    Os olhos baixam quando o outro transpira
    E quando o outro simplesmente não te abraça…
    tudo perde a graça
    E quando o outro não te encara….
    mesmo de longe…
    a boca se cala
    E a segunda-feira fica amarga

    Quando o coração de outra pessoa
    bate dentro da gente,
    a vida nunca basta
    o sonho é sempre novo
    e a angústia é partilhada

    A dor é sujeito composto 
    A febre se espelha no outro rosto 
    O pensamento se desprende 
    Enquanto a segunda-feira se rende 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    o futuro é aflito 
    mas o presente é infinito 
    E o discurso, no susto, 
    às vezes parece restrito 
    Mas o amor é pra sempre 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    se um fica triste, o outro fica também 
    se um irradia alegria, o outro irradia também 
    se um chora, o outro consola 
    se um prende o riso, o outro faz cócegas 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    a segunda-feira
    mora dentro do nosso ventre 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

    ❢ conheça a autora: about.me
    ❝ acompanhe, interaja e compartilhe:
    facebook | twitter | instagram

    be panic…♥
    panicmonday.com.br
    panicmday@gmail.com


    ilustração deste poema: sculpture by Ishibashi Yui.

    **

    Continue: [Ventre]
  • [Grito em silêncio]

    [Grito em silêncio]

    Quero um novo penteado
    pra atravessar meus dedos suados
    nos teus avessos embriagados
    disfarçados de abraços
    d e s t r o ç a d o s 

    Quero unhas negras e fortes
    pra desenhar nos teus braços
    poemas flácidos de sorte
    poemas inacabados
    poemas de morte
    poemas perdidos
    sem centro, sem leito, sem norte 

    Segunda-feira eu grito
    e agarro meus cabelos lisos
    desfaço teus sorrisos idos
    e afogo esse ardor que me consome
    num copo de amor e fome 

    Segunda-feira eu dito
    Dê-me tua mão, eu te guio
    Te levo daqui pro infinito
    enquanto decoro teu nome
    num leito de dor disforme 

    Enquanto livro teu peito aflito
    desse futuro salobre 

    Segunda-feira eu digo
    não mexe comigo
    If it’s a gift, let me lift it
    let me love you in silence
    I’m not tired      

    Eu grito em silêncio
    os beijos frios
    e os leitos lentos 

    Segunda-feira eu tento

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: “Galaxy of Ghouls” by Heart of Bone

    **

    Continue: [Grito em silêncio]