Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

Futuro desdobrado

  • [Futuro desdobrado]

    [Futuro desdobrado]

    Eu quero um mundo perfeito
    Todo mundo tem esse direito
    Mesmo que o pânico nos teus olhos
    Deixe meu absurdo rarefeito

    Do fugaz ao plural
    Strawberry fields
    Borbulham sem igual

    O que naquele dia não podia
    Se transformou em rebeldia
    Contaminado por velhas juras
    Eu to aqui, eu te queria

    Dobras ralas se perdem
    Obras raras se encontram
    Encontro marcado não se mede
    Feliz pra sempre não se pede
    A nossa vida a gente monta

    Tenho um sonho dormente, no entanto
    Assim, bem do meu tipinho:
    um pacote de coisas boas e outras nem tanto
    E por isto mesmo interessantes
    E por isto mesmo nem me espanto
    Com teu sorriso em pranto
    Pois no meu peito te recolho
    Enquanto seco teu olho

    Segunda-feira taciturna
    Ilumina nossas diferenças
    Encanta nossas igualdades
    Desenha novas tatuagens
    E nos cola um no outro
    Perto o suficiente para nos vermos,
    nos ouvirmos, nos sentirmos,
    nos torcermos, nos esvairmos…
    Perto o suficiente para
    tornar o mundo perfeito

    Sabe quelas expectativas triviais que fazem nossos olhos brilharem?
    Pois é, você me desdobra e me descobre e me cativa
    Me faz ver o mundo por uma outra perspectiva
    Me faz sonhar à deriva no espaço de um beijo
    Entre um gole de café e um bocejo

    Então agora a gente comemora
    Com recheio de doce de leite com amora

    Então agora a gente vai embora
    Pra nossa lua de mel embrulhada em papel

    Então agora a gente se devora
    E sente que o presente é entorpecente

    Então agora a gente se demora
    Pois quem namora também chora
    E que venha o futuro afora
    Desdobrado, zoado, embarcado
    Já é hora


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Strawberry fields, acrylic on paper 24″x18″ by Marcelo Daldoce, a painter from Minas Gerais who lives in and works in New York City. His work is focuses on the terrain beyond the conventional two-dimensional landscape of paper and canvas. In bringing to life a flat surface, he strives to create a puzzle between what is real and what is illusion, what is painted and what is manipulated, turning paint to flesh, paper to sculpture. The figures are trapped on the folds of paper, representing old habits we gather from our parents, experiences, traumas… He believes nothing is more challenging than painting the human figure: it carries expression, feeling, history, and his goal is to bring it to life and make it say something (without saying anything at all).

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