Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

lua

  • [Contentamento descontente]

    [Contentamento descontente]

    Contentamento descontente

    Cheiro de lua, cama nua

    Segunda-feira, pasta de dente 
    Serpente no canto da rua 

    Cabe mais um?

    Tempo quente, sorridente
    Talvez um gole de rum

    Aguardente, momento eloquente

    Filme, almofada, vigília estrelada
    Chove chuva transparente
    Tv, sofá, perna atravessada
    Incerteza dentro da gente 

    Doce tempero, café da manhã

    Calor decadente, frio caliente
    Da umidade, uma gota de maçã

    Enxergo sem ver o que paira na frente 

    Fatia no prato, vento no asfalto
    Velocidade apática, caminho lentamente
    Mais um pedaço de doce e fico no anonimato 
    Aqueça-me friamente 

    Só mais um beijo, um pão de queijo 
    Enquanto a textura esfola intimamente 
    Se temperatura fosse desejo 
    Amaríamos eternamente 

     –

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Fuga]

    [Fuga]

    No íntimo do luar
    Um gatilho dispara em mim
    Leve brisa: profuso mar
    Passos desconhecidos sem fim

    Pinceladas de vento nos braços
    Sigo perdida no lilás do firmamento — absorta
    Luarais velhos e devassos
    Segunda-feira mágica, tempo em ondas

    Em vigília, o amor transborda meu corpo informe
    Sem destino, esse sentimento me leva
    enquanto o silêncio dorme

    Ampulhetas escondem estrelas
    Meu coração largo e aflito
    corre, louco, para seu infinito


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday 

    **

    Photo by

    DiaboliqViolet

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  • [Lua amarela]

    [Lua amarela]

    Lua amarela
    Desnuda a segunda
    Pela janela
    Sem feira, sem beira
    Só pra ela
    Passarela
    Que sorri acordada
    Porém deitada
    Toda dobrada
    Apertada de frio
    Azul de arrepio
    Desnuda
    Em plena segunda
    Lua enquadrada
    Na janela
    Camisola
    Cortina
    Stricnina
    Lua safada
    Fada madrinha
    Desbotada
    Na madrugada
    Serpentina


    by Tina Teresa

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  • [Segunda-feira num segundo]

    [Segunda-feira num segundo]

    Tão derradeira, tão assim, tão mundo
    Olhar noturno, luar soturno
    Que protege? Ou promete
    Uma freada brusca
    Vem aqui, me busca
    Traga confete
    A estrada segue em frente
    Nada mais se repete
    Tudo muda num acorde de trompete
    Tudo permanece
    No submundo


    by Tina Teresa

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  • [Prazo de validade]

    [Prazo de validade]

    Será que tudo tem prazo de validade? Se sim, será que é o grau de intensidade o que determina esse prazo? Don’t panic! A segunda-feira está quase no fim e a música que embala minha preguiça conversa comigo. Aliás, é comum músicas conversarem comigo.

    Ah, se essa e outras canções tivessem o poder de transformar comportamentos. E então daí as atitudes teriam prazos de validade. Teria valia? Quanto vale uma nota musical? Uma nota, certamente. E um adágio? Um pedágio?

    Outro dia me disseram que o sentido da vida depende da relação que estabelecemos com as pessoas. Enquanto cantamos sentimentos debaixo do chuveiro ou detrás do volante do carro, percebemos que cada relação depende da admiração que temos por essa ou por aquela pessoa.

    Talvez por isso as relações tenham prazos de validade. Será que só admiramos até onde a vista alcança? Se ‘ad mirar’ é ter próximo aos olhos, que dizer das canções que choram amores ou provocam sabores sem nada mostrar mas tudo revelar?

    As roupas que escolhi não vestir vão se amontoando do lado de fora do armário, criando um mundo à parte, solitário, que só eu vejo enquanto bocejo. Enquanto canto embalada e sinto sua presença velada disfarçada de lua cheia que invade minha sacada pedindo para ser admirada.

    Teria a luz que reflete a lua validade prorrogada já que o escuro toma conta quando fecho os olhos? Qual o futuro do infinito se o que percebo são defeitos sem efeito, sem reflexo, sem pó de pirilimpimpim? Cabe a lua no meu jardim? Ou prefere ela adormecer um sonho bonito?

    Cabe este canto no canto do seu encanto? Quanto tempo ainda tenho nesse tenso embalo intenso? Be yourself. E quem sabe eu te admire mesmo de olhos fechados. Mesmo que o prazo de validade expire. Mesmo que eu pire. E que aquele mundo à parte gire.


    by Tina Teresa

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