Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

monday

  • [Cotidiano]

    [Cotidiano]

    Pela primeira vez
    Depois de anos
    Eu fiz planos 

    Foi quando perdi o sono
    Ainda de quimono
    Depois do teu abandono 

    Sei que parece tolo
    E talvez até insano
    Mas penso em você o tempo todo 

    Mesmo quando encontro
    Outras luzes, sons, cores e rostos
    Ou no meio do cotidiano 

    Segunda-feira se não me engano
    Entre acordes de piano
    Resolvi arrancar do meu peito
    Esse coração profano
    Pra poder sonhar sem mando
    Sem ninguém no meu comando 

    Pela primeira vez
    Depois de anos
    Aprendi a dizer eu te amo

    __

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: fotografia by @anendfor durante a primeira edição da aula / workshop / troca de ideias do #365nus em São Paulo. “Acho que essa é a que mais curto do dia, pelo fato de ter muito a ver com a Thays: ela tem essa cicatriz no peito, proveniente de uma operação no coração, que ostenta orgulhosamente – além de também ter um coração gigante ali dentro”, dia o fotógrafo, Fernando Schlaepfer, em sua postagem original, no Instagram.

    **

    Continue: [Cotidiano]
  • [Pode ser lambretta]

    [Pode ser lambretta]

    Logo vi que de forte não tenho nada… não tenho vaga na calçada, não como bolinho com mostarda nem apareço na sua lembrança da noite passada… Pois é, só que a carne é fraca… mas não há de ser nada, não. Pode ser que eu chore, pode ser que eu volte, pode ser que eu quebre a cara.

    Eu to de bota e to de boa, mas não pense que fico à toa ainda por muito tempo… Pode ser que a espera vire desprezo. Pode ser que você mesmo não me escolha. Pode ser que a folhagem morra e que a paisagem encolha. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que você me renda.

    Queria agora poder olhar na sua cara e entender porquê você só me ama quando está na minha casa. Porquê você me leva na manha, me arranha e me abraça forte quando vai embora. Queria saber porque você não me chama se é pra mim que você reclama quando pesadelos povoam sua cama.

    Cansei da sombra, cansei da água, cansei da perna dobrada. E do braço cruzado, da panca de otário, do copo quebrado. Cansei de cair de barriga. Cansei de guardar lugar na fila. Cansei de remar, de sonhar, cansei de olhar pro lado e te ver ali embriagado caçando sorrisos mofados.

    Quem você pensa que é? Qual o seu disfarce quando conversa comigo sobre cenários e abismos, sobre glossários e eufemismos, sobre salafrários e casos ambíguos? Confio no seu umbigo. E no seu discurso frenético. Mas pode ser que seu tempero cético não queira nada sério.

    Que patético!

    Pode ser que eu solte o que me amarra. Pode ser que eu cresça, pode ser que eu inverta minhas certezas. Pode ser que eu entenda que suas prioridades não têm lugar pra minha agenda. Pode ser que na segunda-feira você me prenda. Pode ser que eu compre uma lambretta. Pode ser que você me perca.


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    **
    ilustração deste poema:
    Efeito sobre photo de Emerson Alexandre

    Continue: [Pode ser lambretta]
  • [Talvez, carpe diem]

    [Talvez, carpe diem]

    Talvez seja melhor você não pagar suas dívidas comigo
    Talvez meu pânico vire sonho se pairar dúvida sem brilho
    Toda vez que eu sinto frio ou quando eu me viro

    Talvez seja melhor essa sensação ilusória de certeza
    A permitir que a mente crie cenários dementes na aspereza
    Na tentativa de evitar que o bom humor vire tristeza
    Na defesa dos sorrisos, dos abraços, dos suspiros
    Toda vez que seu momento coincide com meu abrigo

    Talvez seja melhor sobreviver me lambuzando com geleia de amora
    A esperar seu bom-dia entorpecido num buquê de “onze-horas”
    A sonhar com seu desejo esquecido misturado com saliva
    Ou ouvir o que você me diz com suas palavras mofadas
    Toda vez que sua escolha coincide com minha alvorada

    A vida não é um teatro com tudo ensaiado e combinado
    Não tenho ideia do que é certo (ou errado?)
    Não tenho ideia do que é estar sempre por perto (ou do lado…)

    Não gosto de esperar. Nem de soluçar…
    Talvez seja melhor eu lembrar de respirar fundo
    Pra aliviar a voz ao falar contigo, toda vez que você ligar

    Paciência nunca foi meu forte
    I love and hate monday in panic
    Encontrar você foi um gole de sorte
    Uma vírgula sortida na delícia da despedida
    Na malícia da segunda-feira bandida

    Talvez seja melhor dizer o que se quer dizer
    Com palavras certas em frases incertas
    Ditas sem pensar no que se quis permitir
    Ditas sem pedir o que ficou prometido
    Do que calar e deixar o sonho fluir

    Será?

    Talvez seja melhor falar sem medir
    A fingir palpável o alcance frágil
    Toda vez que você me invade

    Talvez seja melhor aguardar a segunda-feira
    A esperar presença, sentença e aconchego
    Na crença de que sua alma me pertença

    Você pra mim é só isso e tudo isso
    Algo que ainda não defino
    Se é que algum dia ainda te sinto

    Talvez seja melhor carpe diem
    Mesmo que eu queira de segunda a segunda
    Por crer que momentos a gente aproveita ainda melhor
    Em companhia de quem nos incendeia
    Toda vez que amanhece uma nova segunda-feira

    Que te parece?

    Talvez seja melhor parar o mundo
    Toda vez, todo segundo
    Talvez eu queira existir, só existir
    Talvez eu queira partir
    Partir meu coração, abrir minha vida
    Dividir meu cheiro, meu caminho inteiro
    Pra ladear contigo e alardear sorrisos
    Talvez seja melhor beber um vinho
    Talvez seja melhor compartilhar seu limbo
    Toda vez que eu desafio
    A afinidade e a contrariedade nos nossos sons
    Que brincam entre ventos e marés
    Feito palavras que vêm e vão
    E ecoam e ressoam em modulações

    Talvez seja melhor…
    Secar o suor.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **
    Photography by Josephine Sicad

    Continue: [Talvez, carpe diem]
  • [Trilha]

    [Trilha]

    Já é segunda-feira e não tenho sono.
    Sinto-me travada enquanto o mundo gira.
    Não quero dormir, não quero acordar.
    Amanhã vou levantar mais cedo,
    o dia será longo.
    Por que tanta coisa a comprovar?
    Se me provo, logo, existo?
    Exausta. Desisto.
    Segunda-feira sem lei.
    Vida bandida.
    Converso com versos perversos.
    Breve despedida.
    Desapego. Abandono.
    Se algum músculo
    do meu corpo
    não dói,
    desconheço.
    Vamos fazer uma trilha?

    Você vai na frente,
    eu vou de quimono.


    by @DiaboliqViolet

    Continue: [Trilha]