Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

mudança

  • [Ensaio]

    [Ensaio]

    Muito prazer, I’m Alive
    Right here, all right 

    Na minha tez
    A tua paz

    Insensatez, Mardi Gras
    I don’t care, I wanna dance
    I just need a place to share
    And a real thing to embrace

    Talvez um aplauso
    Um passo em falso
    Um salto alto
    No meio de tanta sordidez

    I’m Alive and I thank you
    I really appreciate

    Hoje foi só mais uma segunda-feira insone
    Don’t postpone
    Give me a smile
    Logo chega maio
    Enquanto isso, ensaio
    My last piece of cake

    Do you wanna taste?
    Try me
    Don’t quiet me
    I love you
    Mas muito mais do que isso
    Amo ser quem tu me tornaste
    Das rédeas aos distratos
    Das pedras às marés
    Eu já sei ficar em pé

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Papercut by Parth Kothekar.  

    **

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  • [Futuro faminto]

    [Futuro faminto]

    Sobre
    Voando
    Sobrando
    Vazando
    Volátil
    Nobre
    Sono
    Trono
    Abandono
    Dano
    Dono
    Segunda-feira de pano
    Plano, flano
    Sabe
    Sobe
    Voando
    Varando
    Bradando
    Dando
    Desdobrando
    Andando
    Voltando
    Futuro
    Faminto
    Minto
    Sinto
    Brando
    Brado
    Dobro
    Formo
    Firmo
    Finito
    Furo
    Vindo
    Vivendo
    Movendo
    Mudando
    Muro
    Volando
    Bailando
    Livrando
    Lavrando

    Livro
    Te livro
    Te leio
    Lindo
    Lendo
    Limando
    Amando
    Lambendo
    Banhando
    Bebendo
    Babando
    Sorvendo

    Vendo
    Sonho
    Novo
    Devendo
    Revendo
    Devolvo
    Remendo
    De novo
    Revolvo
    Revivo
    Sorrindo
    Indo
    Partindo
    Parindo
    Rindo
    Sentindo
    Tinindo
    Querendo
    Crescendo
    Sendo
    Tendo
    Sofrendo
    Tentando
    Tem tanto
    Tem tudo
    Tramado
    Trama
    Derrama
    Me ama
    Me chama
    Chamego
    Logo chego
    Dobrando
    Vertendo
    Sobrevoando


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    *

    Arte: Colorização by Patty Stazak sobre fotografia de Juliana Mozart | Casamento decorado com borboletas de origami.

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  • [Ela | Ele]

    [Ela | Ele]

    Se há momentos em que tudo cansa,
    aquele era um deles:
    tudo tão mecânico e previsível
    que o pensamento abandona o corpo. 

    Não entendia o alcance das palavras
    que diziam cuidar de mim. 

    Do canto do quarto,
    a cena era angustiante e lastimável.
    Parecia um filme leviano
    já assistido uma dúzia de vezes;
    um filme com final incerto
    guiado por uma aterrorizante monotonia. 

    Os corações pulsavam juntos,
    mas em direções e talvez
    por motivos diferentes.
    Por horas.
    Horas que aguardavam
    apenas só mais um pulsar de ponteiros
    para a decisão aterradora. 

    Segunda-feira avassaladora.

    Penso que os homens
    que deitaram sobre o meu corpo
    não sabiam qual era realmente
    o valor do meu pudor. 

    Seus desejos ocupavam os espaços
    entre os ponteiros que pulsavam. 

    A gentileza é necessária,
    como o carinho, o adorno, o afago. 
    Tanto quanto o abraço, o esforço,
    o esmero, o suporte, o estofo.
    Gentileza é um sopro, um toque,
    um espasmo, um grito.
    E paz.
    Assim como o fogo.
    E a guerra. 

     Estar vivo é estar em conflito permanente,
    produzindo dúvidas e certezas questionáveis. 

    A gente aplaude quando gosta,
    questiona quando se sente atordoado
    e lamenta quando as expectativas não são atingidas. 

    No dia-a-dia a gente enxerga tendências,
    capta informações únicas
    e vivencia momentos puros. 

    Mas o difícil e atraente é captar a essência,
    o dinamismo e o significado de cada gesto,
    compostos por diversas sintonias e linguagens. 

    A gente sofre querendo e buscando,
    e também corre o risco
    de sofrer ainda mais com o resultado.
    Seja ele positivo ou negativo. 

    Quando queremos obstinadamente alguma coisa
    parece que ela está sempre distante,
    de um jeito ou de outro.
    Entretanto, o desejo ardente evoca fantasmas:
    insegurança, medo, fraquezas, responsabilidade. 

    É preciso estar preparado para o fim de uma história,
    ou, para o começo de outra.
    Afinal, o que fazer com o resultado? 

    A questão é que experiências ruins existem,
    fazem parte da nossa existência, sim.
    Só assim aprendemos a fazer boas escolhas,
    ganhamos esperteza e destreza
    perante as coisas da vida: vivendo.
    Mudamos de idéia, nos surpreendemos às vezes,
    nos decepcionamos outras.
    E ninguém deve ser responsabilizado
    pelas nossas más escolhas. 

    É graças a experiências ruins
    que nos deleitamos com
    (e valorizamos) as boas.
    Elas não devem e não podem
    ser evitadas. 

    Todo mundo é a favor de mudar e inovar,
    mas pouca gente está disposta
    a afastar-se da zona de conforto
    e assumir os riscos. 

    E daí diariamente a gente afunda,
    sem se dar conta,
    no traiçoeiro terreno movediço da irrelevância.

    Segunda-feira tansa. 

    É uma fuga, sim.
    Do destino, do presente, da angústia, do impensável.
    Enquanto isso, os ponteiros pulsam. 


    by @DiaboliqViolet

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